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Segunda Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Segunda Semana do Advento 2017

(10 de dezembro. Is 40, 1-5. 9-11; 2Pd 3, 8-14; Mc 1, 1-9)

A quietude na meditação é, apesar das aparências, o trajeto mais rápido do espírito. Sem saber, estamos percorrendo um longo caminho e não percebemos isso até tomarmos consciência de que não tem volta. As pessoas deixam de meditar por várias razões. Uma delas é a impaciência; outra, o medo de estar atravessando uma experiência rápido demais. O Advento é uma oportunidade para reajustar nossa consciência diante da dimensão fluida e estranha do tempo, na qual vivemos e morremos diariamente. O amor forte pode ser esta chamada para o despertar.

Hoje, Isaías parece cativado pela suave ternura de Deus. É diferente, mas não incompatível, com a ênfase da semana passada na dolorosa desavença entre o humano e o divino. Na verdade, nada é incompatível com Deus. Quanto maior a diferença, quanto mais profundo o paradoxo a ser solucionado, maior o encantamento em ver opostos unidos. Mas o pastor divino? Se você já esteve perto de um pastor junto a seus carneiros e ovelhas, deve ter se surpreendido com os modos dele. Em uma das mãos, é firme, impassível, masculino; na outra, gentil, atencioso, cuidadoso até com o mais raquítico animal de seu rebanho.

No Evangelho de hoje, encontramos outro profeta, João Batista, o último dos pré-Cristãos, da mesma época de Jesus. A tradição o imagina cabeludo, sujo e zangado, ascético, denunciando a corrupção e a hipocrisia. Talvez haja mais coisas para ele do que isso. Os profetas são caracteristicamente sensitivos, solitários, disfuncionais e raramente transmitem suas mensagens sem ofender pessoas de todos os lados.

Mas sua intenção (dos verdadeiros profetas) é amável: a saúde e o bem-estar dos outros. O chamado para mudarmos nossas mentes e nosso modo de ver as coisas, e ajustar nosso estilo de vida a esta nova maneira de ser, é dolorosamente amável. As pessoas que saíram para o deserto, a fim de ouvir João, perguntaram-lhe “o que vamos fazer?” Elas ficaram – como nós, frequentemente, e mais do que percebemos – secretamente desesperadas.
Não há muito mais que nos encha de desespero inconsciente do que vislumbrar nossas vidas se esvaindo sem sentido, sem descobrirmos o que realmente deveríamos fazer com elas, tentando manter a consciência acusadora de nosso erros e decepção conosco mesmos na superfície além das ondas da consciência. Os profetas captam tudo isso abertamente.

Mas a tensão entre paciência e urgência pode se resolver, como vemos na carta de Pedro hoje: “para o Senhor, um dia é como mil anos”. Se vemos isso, então duas meditações por dia se tornam mais factíveis. John Main disse (profeticamente) que isso era o mínimo. Mesmo que leve um milênio para compreender e aquiescer, é sempre importante ouvir esta verdade.

O profeta pode aparecer para nós na próxima semana sob muitos aspectos. Seja qual for sua aparência exterior, firme ou gentil, o efeito deveria ser o mesmo: fazer com que a rápida noção da urgência da vida dure o suficiente para olharmos fixamente, nos olhos, a verdade sobre nós mesmos. Por mais difícil que seja, não deixaremos de suspirar aliviados – porque a verdade, finalmente, veio à tona e podemos parar de fingir.

 


 

Original em inglês

Advent Week 2  (December 10th,  Is 40:1-5,9-11; 2Pet:3:8-14; Mk 1:1-8)

Stillness in meditation is, despite appearances, the fast lane of the spirit. Without knowing it we are covering a lot of ground and we do not become aware of it until we realise there is no going back. People stop meditating for a variety of reasons. One is impatience; another is fear that we are travelling too fast. Advent is an opportunity to readjust our awareness in the strange, fluid dimension of time in which we live and die every day. Tough love can be this wake-up call.

Isaiah today seems captivated by the melting tenderness of God. It is different but not incompatible with last week’s emphasis on the painful estrangement between the human and the divine. Actually nothing is incompatible with God. The greater the difference, the deeper the paradox to be resolved and then the greater the delight in seeing opposites united. But, the divine shepherd? If you have ever met a shepherd close to his sheep you may have been surprised by his manner. On one hand tough, unsentimental, masculine; on the other, gentle, attentive and nurturing to even the weakest runts in his flock.

In today’s gospel we meet another prophet, John the Baptist, the last of the pre-Christian ones, the same age as Jesus. The tradition has imagined him hairy, unwashed and angry, ascetical and denouncing corruption and hypocrisy. Maybe there is more to him than this. Prophets are characteristically hyper-sensitive, lonely, dysfunctional and they rarely get their message over without offending people on all sides.

But their intention (the true prophet’s) is kindly: the health and well-being of others. The call to change our mind and way of seeing things and to adjust our life-style to this new way of being is painfully kind. The people who came out into the desert to hear John asked him ‘what shall we do?’ They were – as we are often are, and more than we realise – quietly desperate.

There is not much that fills us with unconscious dread more than the glimpse of our lives trickling away from us without meaning, without discovering what we were really supposed to do with our lives, trying to keep the accusatory awareness of our mistakes and self-deception from surfacing above the waves of consciousness. Prophets get this out in the open.

But the tension between patience and urgency can resolve as we see in the letter from Peter today: ‘with the Lord one day is like a thousand years’. If we see that, then two meditations a day seem more doable. John Main said (prophetically) this was the minimum. Even if it takes a millennium to understand and comply with this, it is a truth always worth listening to.

The prophet may appear to us this coming week in many guises. In whatever outward form, tough or gentle, the effect should be the same: to make the glimpse of life’s urgency last a little longer until we steadily look the truth about ourselves in the eyes. Hard as that may be, we will not fail to sigh with relief that the truth is finally out and we can stop pretending.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.