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Terceira Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Terceira Semana do Advento 2017

(Is 61, 1-2a, 10-11; 1Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-28)
Foto: Laurence Freeman

Temos que cavar fundo através de decepção e até mesmo desespero para encontrar a fonte da esperança. Só no lugar onde ela borbulha das entranhas da terra é que a esperança pode ser mais do que pensamento ilusório, dedos cruzados, manter a moral alta. Talvez por isso os profetas (e todos nós temos um pouco do profeta em nós) parecem muitas vezes oscilar da escuridão para a luz.

Hoje Isaías é todo luz. Uma pessoa tem que ter um coração endurecido profissionalmente para não se comover com sua visão de um evento, uma vinda que traz boas notícias para os pobres, cura os de coração partido, dá liberdade aos cativos de laços de medo ou fantasia e liberta prisioneiros. No Natal muita gente se lembra dessa esperança e se sentem conectada à sua fonte pura, fresca e simples. Isso acontece porque o Natal celebra um nascimento e é por isso crianças e Natal ficam tão bem juntos.

Essa visão esperançosa do teatro humano acaba sendo frequentemente enterrada fundo nos ruídos, no brilho e na indulgência excessiva das festividades. Inevitavelmente, vamos ouvir falar sobre o impacto econômico dos gastos de Natal na economia, mas muito menos sobre os abrigos especiais para os sem-teto feitos por voluntários, sobre as pessoas que vão procurar e confortar aqueles que, com suas famílias, perderam casa e subsistência por causa da guerra e são vistos por seus novos anfitriões com suspeita e hostilidade.

Como podemos cavar para encontrar esta fonte de esperança que pode enfrentar as desumanidades da humanidade e ao mesmo tempo não desistir de tentar fazer do mundo um lugar mais bondoso e justo? No final das contas, muitos que começam idealistas tornam-se cínicos. A política sufoca o propósito. E muitos mais talvez se desgastem no processo, empenhando-se generosa mas imprudentemente de maneiras que alquebram a mente ou o corpo.

Paulo diz "ore sem cessar". Dificilmente o significado dessa frase é passar o dia todo na igreja, mesquita, templo ou sinagoga. Nem significa pensar em realidades celestiais o tempo todo. Significa desobstruir o canal da consciência que é o fluxo contínuo e puro de oração em nós.

Uma vez sentei-me para meditar com um pequeno grupo na minha sala de meditação na Ilha de Bere. Em seguida, um cheiro horrível e um som preocupante de borbulhas veio de perto do banheiro. Estava transbordando. Más notícias, como lemos todos os dias. Meu primo, que é especialista em tudo, chegou mais perto e disse temer ser a fossa séptica. Um problemão. Mais tarde, enquanto eu andava lá fora, vi um buraco no cano que levava do banheiro para o tanque. Olhei no buraco e vi uma pedra alojada lá. Mal acreditando na minha sorte e radiante de orgulho por ter sido eu a resolver o problema, arranquei a pedra e tudo fluiu da maneira certa.

Não temos que tentar orar continuamente. Apenas temos que remover os bloqueios para apreciar o que Paulo chama de solidez, a totalidade do corpo, da mente e do espírito. Esta é a compreensão bíblica do ser humano: a tripla dimensão que eleva a dualidade do corpo e da mente à transcendência. Esta terceira e mais sutil dimensão está claramente presente no evangelho de hoje, quando João Batista aponta para longe de si mesmo, para aquele que virá depois dele.

Só podemos dizer e ver até um certo ponto. Só podemos manter a atenção em nós mesmos por um tempo determinado. Se não limparmos os bloqueios na consciência que nos atrapalham e ao mundo, vamos olhar sem parar e não ver e tagarelar tanto que acabaremos abafando os silêncios de cura da vida. João Batista diz: "há um entre vós a quem não reconheceis".

Que coisa esperançosa de se dizer!

 


 

Original em inglês

Advent Week Three

(Is 61:1-2A,10-11; 1Thess 5:16-24; Jn 1: 6-8,19-28)
PHOTO: LAURENCE FREEMAN

We have to burrow deep down through disappointment and even despair to find the source of hope. Only at the place where it bubbles up from the bowels of the earth is hope more than wishful thinking, crossing your fingers, keeping up morale. This may be why prophets (and we all have a bit of the prophet in us) seem often to oscillate from the dark to the light.

Today Isaiah is all light. You would have to have a professionally hardened heart not to be moved by his vision of an event, a coming – that brings glad news to the poor, heals the broken-hearted, gives liberty to those held in bonds of fear or fantasy and sets prisoners free. At Christmas many people remember this hope, and feel connected to its pure, fresh and simple source. That is why Christmas is about a birth and children and Christmas go together so well.

This hopeful vision of the human theatre is usually buried deep in the noise and glitter and excessive indulgence of the festivities. Inevitably, we will hear about the economic impact of Christmas spending on the economy; much less about the special shelters for the homeless run by volunteers, the people who will search out and comfort those who with their families have lost home and livelihood because of war and are looked at by their new hosts with suspicion and hostility.

How do we dig down to find this spring of hope that can face the inhumanities of humanity and still not give up trying to make the world a kinder and more just place? After all, many who start off idealistically become cynical. Politics smothers purpose. And many more perhaps burn out in the process, giving themselves generously but imprudently in ways that break the mind or the body.

Paul says ‘pray without ceasing’. This hardly means spending all day in church, mosque, temple or synagogue. Nor does it mean thinking about heavenly realities all the time. It means unblocking the channel of consciousness that is the continuous pure stream of prayer in us.

I once sat down to meditate with a small group in my meditation room on Bere Island. Then an awful smell and a worrying sound of gurgling came from the nearby toilet. It was overflowing. Bad news, like we read of every day. My cousin, who is an expert in everything, came round and feared it was the septic tank. Big problem. Later as I walked around outside I saw a hole where the pipe led from the toilet to the tank. I looked in the hole and saw a stone lodged there. Hardly believing my luck and beaming with pride that I had solved the problem I plucked out the stone and everything flowed thereafter in the right way.

We don’t have to try to pray continuously. We just have to remove the blockages to enjoy what Paul calls the soundness, wholeness, of body, mind and spirit. This is the biblical understanding of the human – the triple dimension that lifts the duality of body and mind to transcendence. This third and most subtle dimension is clearly present in today’s gospel, as John the Baptist points away from himself to the ‘one who will come after’ him.

We can only say so much and see so much. We can only keep the attention on ourselves for so long. If we don’t clear the blockages in consciousness that foul up ourselves and the world, we will endlessly look and not see and chatter so much that we drown out the healing silences of life. The Baptist says ‘there is one among you whom you do not recognise.’

What a hopeful thing to say.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.