Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Crescer em Deus

Extraído do livro O CAMINHO DO NÃO CONHECIMENTO (Editora Vozes, 2009)

Qual é a diferença entre realidade e irrealidade? Acho que uma maneira de entender isso é ver a irrealidade como produto do desejo. Uma coisa que aprendemos na meditação é abandonar o desejo, e o aprendemos porque sabemos que somos chamados a viver por inteiro no momento presente. A realidade exige quietude e silêncio. E esse é o compromisso que assumimos ao meditar. Aprendemos em nossa experiência de quietude e silêncio a nos aceitar como somos. Isso soa muito estranho aos ouvidos de hoje, e acima de tudo aos cristãos de hoje que foram educados para praticar tanto esforço, com ansiedade.

A verdadeira tragédia do nosso tempo é a de que estamos tão cheios de desejo por felicidade, por sucesso, por riqueza, por poder, não importa o que seja, que ficamos sempre imaginando a nós mesmos como deveríamos ser. Raramente chegamos de fato a nos conhecer como somos e a aceitar nossa presente situação. Porém, a sabedoria tradicional nos diz: saiba que você é, e que você é como é. Pode bem ser que sejamos pecadores, e se assim for é importante sabermos que o somos. Mas bem mais importante para nós é sabermos, a partir da própria experiência, que Deus é a base do nosso ser, e que estamos enraizados e fundados n’Ele. Essa é a estabilidade de que precisamos. Não é do esforço e do movimento do desejo que precisamos, mas sim da estabilidade e quietude do enraizamento espiritual. Somos, cada um de nós, convidados a aprender em nossa meditação, em nossa quietude em Deus, que temos tudo o que é necessário.


 

Original em inglês:

An excerpt from John Main OSB, "Growing in God", THE WAY OF UNKNOWING (New York: Crossroad, 1990), pp. 79-81.

What is the difference between reality and unreality? I think one way we can understand it is to see unreality as the product of desire. One thing we learn in meditation is to abandon desire, and we learn it because we know that our invitation is to live wholly in the present moment. Reality demands stillness and silence. And that is the commitment that we make in meditating. As we learn in our experience of stillness and silence to accept ourselves as we are. This sound very strange to modern ears, above all to modern Christians who have been brought up to practice so much anxious striving.

The real tragedy of our time is that we are so filled with desire, for happiness, for success, for wealth, for power, whatever it may be, that we are always imagining ourselves as we might be. So rarely do we come to know ourselves as we are and to accept our present position. But the traditional wisdom tells us: know that you are and that you are as you are. It may well be that we are sinners and if we are, it is important that we should know that we are. But far more important for us is to know from our own experience that God is the ground of our being and that we are rooted and founded in God. This is the stability we need, not the striving and movement of desire, but the stability and the stillness of spiritual rootedness. Each of us is invited to learn in our meditation, in our stillness in God, that we have everything that is necessary.

 

uisermos nos tornar sábios, devemos aprender a lição de que “não temos aqui cidade permanente”. 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.