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O Poder da Atenção

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Pensamos que nos seria mais fácil nos voltarmos para fora da [consciência de si mesmo e da] introspecção, caso soubéssemos para o que é que nos estamos voltando. Se ao menos tivéssemos um objeto fixo para o qual pudéssemos olhar. Se ao menos Deus pudesse ser representado por uma imagem. Todavia, o verdadeiro Deus nunca poderá ser uma imagem. As imagens de Deus são deuses. Ao fazermos uma imagem de Deus estaremos apenas olhando para uma imagem remodelada de nós mesmos. A verdadeira interiorização, a abertura dos olhos do coração, significa vivermos a visão sem imagens, o que é fé, e é a visão que nos permite “ver a Deus” em todas as coisas.
Na fé, um novo Espírito controla a atenção, não mais os espíritos do materialismo, da busca de si, e da auto-preservação, porém, o ethos da fé, que por sua natureza não é possessivo. Podemos vislumbrá-lo, simplesmente puxando pela memória aqueles momentos ou fases da vida em que experimentamos o mais elevado nível de paz, satisfação e felicidade e, reconhecendo que aqueles não foram períodos em que possuímos algo, mas, em que nos perdemos em algo ou em alguém. O passaporte para o Reino precisa do carimbo da pobreza.
[. . .] Ainda assim, o aprendizado para nos centrarmos no outro é uma disciplina, trata-se de um discipulado e significa uma ascese. Não há nada mais difícil do que aprender a tirar a atenção de nós mesmos. E, há hoje um ainda maior desafio para encararmos, porque retirarmos a atenção de nós mesmos parece quase sacrílego, pelo tanto que associamos crescimento, realização e desenvolvimento à constante auto-análise e à consciente construção de uma imagem positiva do si mesmo . . . Todos temos uma exagerada tendência a deixar que a nossa atenção vagueie, que se desvie de volta à auto-consciência, ao apaixonamento por si mesmo e à distração.
Há no entanto, uma simples verdade a ser descoberta. Sempre que nossa atenção se concentra sobre nós mesmos, . . . todas as coisas são uma distração de Deus. Quando a atenção está em Deus, com a visão da fé, todas as coisas nos revelam Deus.

original em inglês:

From Laurence Freeman OSB, “The Power of Attention,” THE SELFLESS SELF (Norwich: Canterbury, 2008), pp. 31-35.

It would be easier, we think, to turn away from [self-consciousness and] introspection if we knew what we were turning towards. If only we had a fixed object to look at. If only God could be represented by an image. But the true God can never be an image. Images of God are gods. To make an image of God is merely to end up looking at a refurbished image of ourselves. To be truly interior, to open the eye of the heart, means to be living within the imageless vision that is faith, and that is the vision that permits us to “see God” in all things.

In faith, attention is controlled by a new Spirit, no longer the spirits of materialism, comparison, self-seeking and self-preservation, but the ethos of faith, which is by its nature dispossessive. We can glimpse it simply by calling to mind those moments or phases in life where we experienced the highest degree of peace, fulfillment and joy and recognize that those were times, not when we possessed anything, but when we lost ourselves in something or someone. The passport into the kingdom requires the stamp of poverty.

[. . . .] And yet learning to be other-centered is a discipline, it is discipleship and it means an ascesis. There is nothing more difficult than to learn to take the attention off ourselves. And for us today, there is an even greater challenge to face, because it seems almost sacrilegious to take our attention off ourselves, so much do we equate growth, fulfillment and development with constant self-analysis and the conscious building up of a positive self-image . . . We are all too prone to let our attention drift back into self-consciousness, self-infatuation, and distraction.
But there is a simple truth to discover. When our attention is on ourselves, . . .everything is a distraction from God. When our attention is in God, with the vision of faith, everything reveals God.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.