Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Jesus, O Mestre Interior

Extraído do livro Jesus, O Mestre Interior – Martins Fontes, São Paulo, 2004, pgs. 63 e 64.

O novo tipo de vida que a Ressurreição possibilita não depende da evidência forense da tumba vazia, ou da evidência circunstancial das aparições.

Encontramos a evidência na vida cotidiana. A fé na ressurreição não é algo insano, mas reside em um tipo particular de senso e de racionalidade. As ideias quanto ao que constitui a razão são historicamente variáveis. Assim como o amor, a fé na Ressurreição tem sua própria razão e qualidade de ser, um elevado grau de inteireza, que alcançamos mais do que aprendemos. As experiências, até mesmo as aparições ligadas à Ressurreição, surgem e desaparecem.

Tornam-se memórias, Nós, contudo, reconhecemos a Ressurreição naquilo que os primeiros discípulos chamaram de o “Dia de Cristo”. Trata-se do momento presente iluminado pela capacidade que a fé tem de ver o invisível, de reconhecer o que é óbvio. Como escreveu Simone Weil: “Ele vem oculto até nós, e a salvação consiste no fato de o reconhecermos”.

A pergunta que Jesus nos faz [E vós, quem dizeis que eu sou?] é a dádiva oferecida a nós pelo rabbuni: sua própria formulação concede a “graça do guru”.

Em todas as épocas, sua pergunta é a dádiva que espera ser recebida. Seu poder, simples e sutil, de despertar o auto-conhecimento em nossa própria experiência da Ressurreição é perene. São Tomás se utiliza do tempo presente para falar da Ressurreição. Ele pode ser entendido como se afirmasse que a Ressurreição. . . transcende todas as categorias de espaço e de tempo. De maneira semelhante, os ícones da Ressurreição da tradição ortodoxa sugerem a mesma transcendência e mostram que o poder que ressuscitou Jesus continua presente e ativo.

O trabalho essencial de um mestre espiritual é apenas este: não nos dizer o que fazer, mas ajudar-nos a ver quem somos. O Eu que passamos a conhecer através de sua graça não é um ego pequeno, isolado e separado que se apega às suas memórias, desejos e medos. É um campo da consciência que se assemelha, e dela é indivisível, à consciência de que Deus é, ao mesmo tempo, a revelação cósmica e bíblica: o grande e único “EU SOU”.

 



Texto original em inglês

Laurence Freeman OSB
LIGHT WITHIN: The Inner Path of Meditation (New York: Crossroad, 1989), pp. 65-67

The new kind of life made possible by the Resurrection does not rely upon the forensic evidence of the empty tomb or the circumstantial evidence of the apparitions.

The evidence is found in daily living. Faith in the Resurrection is not crazy. . . it rests on a particular kind of sense and rationality. Ideas of what constitutes reason are historically variable. Like love, faith in the Resurrection has its own reasonableness and quality of being, a heightened degree of wholeness that is caught rather than taught. Experiences, even Resurrection appearances, come and go. They become memories. We, however, know the Resurrection, in what the early disciples called the “Day of Christ.” It is the present moment illuminated with faith’s ability to see the invisible, to recognize the obvious. As Simone Weil wrote, “He comes to us hidden and salvation consists in our recognizing him.”

The question that Jesus asks [“And who do you say I am?] is the rabbuni’s gift to us: its very asking bestows the “grace of the guru.”

In every era his question is the gift waiting to be received. Its power simply, subtly to awaken Self-knowledge in our own experience of the Resurrection is perennial. St Thomas uses the present tense when he speaks of the Resurrection. He can be understood to be saying that the Resurrection. . . transcends all categories of space and time. In a similar way icons of the Resurrection in the Orthodox tradition suggest the same transcendence and show that the power that raised Jesus is presently and continuously active.

The essential work of a spiritual teacher is just this: not to tell us what to do but to help us see who we are. The Self we come to know through its grace is not a separate, isolated little ego-self clinging to its memories, desires and fears. It is a field of consciousness similar to and indivisible from the Consciousness that is the God of cosmic and biblical revelation alike: the one great I AM.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.