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Reverência (2)

extraído de A Luz que Vem de Dentro (São Paulo, PAULUS, 1989), pág. 117.

As pessoas religiosas tendem a ser mais conscientes de si do que outras pessoas. E, se formos honestos quanto à nossa auto-consciência, deveremos compreender a relação dela com a falta de reverência em nossa vida religiosa. Na verdade, poderemos nos surpreender com o fato de que nos mais sagrados momentos de nossa vida religiosa, nosso espírito de reverência esteja vergonhosamente vazio. Certamente, aquela irreverência barulhenta e movimentada em nossas igrejas, é algo que alguns não-cristãos frequentemente ressaltam. Eles ressaltam, por exemplo, a falta de silêncio ou de imobilidade física. Eles também ressaltam o tempo que dispendemos pedindo a Deus as coisas que desejamos.
Isso não significa que não nos devamos nunca movimentar em nossos assentos, ou que as palavras não sejam uma parte enriquecedora de nossa devoção. Mas, ... a meditação modifica nossa atitude em relação à devoção, porque nos ensina, a partir de nosso interior, essa nossa experiência, de que o Deus que adoramos está presente, e que é a sua presença que estamos adorando. A meditação torna nossa vida religiosa mais reverente, porque nos ensina, através da experiência da Presença que nos habita, que é na sua Presença, que adoramos sua Presença. Não estamos menos nele, do que ele em nós. Na interpenetração de sua consciência com a nossa, conhecemos porque somos conhecidos. A resposta mais natural a qualquer experiência em que conhecemos e somos conhecidos, é a do silêncio reverente. O silêncio conduz a um aprofundamento do conhecimento mútuo. [. . . .]
Utilizamos tantas palavras. Ouvimos as mesmas palavras, as mesmas idéias, tantas vezes a cada dia, que elas se tornam embotadas para nós. Porém, muitas pessoas se lembrarão, de como elas podiam ouvir as palavras de São Paulo lidas por Dom John Main, como se elas as estivessem ouvindo pela primeira vez. Isso era uma encanto. Sem encanto, esquecemos que a realidade da qual estamos falando, e adorando, é real, está presente. A reverência e o encanto só crescem a partir de um contato direto com a Presença real. Do contrário, permanecemos trancados no nível do contato indireto, falando dele, pensando nele. Então, inevitavelmente, passamos a prestar atenção, de modo auto-consciente, na maneira como falamos, na maneira como o manifestamos, na maneira como explicamos; e, assim, desenvolvemos a auto-importância religiosa. O próximo passo é o de se tornar polêmico ou condenatório. Esta é a grande desgraça e tendência das pessoas religiosas, a consequência de se perder a reverência.
Todavia, o caminho que vai da auto-importância à reverência é tão simples. Não precisamos procurar arquitetar o contato direto com Deus, porque ele já foi feito. Ele é a Encarnação, o Verbo que se fez carne. Não precisamos polemizar nosso acesso àquela Consciência maior, porque ela já ocupou sua morada em nosso interior, não por meio da argumentação, mas, por meio do amor. A meditação é simplesmente saber isso.

original em inglês

 

An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Reverence,” LIGHT WITHIN (New York: Crossroad, 1989), pp. 92, 94-95.

Religious people tend to be more self-consciousness than others. And if we are honest about our self-consciousness we should see its connection with a certain lack of reverence in our religious life. We may indeed be surprised that at the most sacred moments in our religious life our spirit of reverence is shamefully hollow. A busy, noisy irreverence in our churches is certainly something that non-Christians often remark upon. They remark for example on the lack of silence or of physical stillness. They often remark too about the amount of time spent in asking God for things we want.

This does not mean that we should never move in our seats, or that words are not an enriching part of religious worship. But. . .meditation changes our attitude to worship because it teaches from within our own experience that the God we worship is present and that it is his presence that we are worshipping. Meditation makes our religious life more reverential because it teaches us, through experience of his indwelling Presence, that it is in his Presence that we worship his Presence. We are no less in him that he is in us. In the interpenetration of his consciousness with ours we know because we are known. The most natural response to any experience in which we know and are known is reverential silence. Silence leads deeper into mutual knowledge. [. . .]

We use so many words. We hear the same words, the same ideas, so many times a day that they become blunted for us. But many people will remember how they could hear the words of St Paul read by Father John as if they were hearing them for the first time. That was wonder. Without wonder we forget that the reality we are talking of and worshipping is real, is present. Reverence and wonder can grow only out of a direct contact with real Presence. Otherwise, we remain locked at the level of indirect contact, talking about,thinking about. We then inevitably become self-consciously concerned with the way we talk, the way we express it, the way we come across; and so develop religious self-importance. The next step is to become argumentative or condemnatory. This is the great curse and tendency of religious people, the consequence of losing reverence.

Yet the way from self-importance to reverence is so simple. We don’t have to try to engineer direct contact with God because it has already been made. That is the incarnation, the Word made flesh. We don’t have to try to argue our way into that greater Consciousness because it has already taken up its dwelling within us, not by argument but by love. Meditation is simply knowing that.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.