Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Caríssimos Amigos

extraído do Boletim Internacional da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã nr 3 Vol 33 de Setembro de 2009.

Em meio ao estilo de vida barulhento e hiper-ativo saturado de ruído midiático e do bombardeio de invasões visuais, os períodos de meditação da manhã e da tardinha purificam e revitalizam nosso silêncio. A atenção é a força do silêncio, e a formamos através de um treinamento regular. Mas, nosso estilo de vida contemporâneo e as instituições que nos monitoram não dão muita importância ao silêncio. A própria natureza do silêncio facilita que o percamos, sem sequer nos darmos conta disso. Quanto mais distraídos ficamos, menos nos damos conta de não estar prestando atenção. Quanto mais numerosos os estímulos externos que ocupam a mente, menos sabemos ter perdido espaço interior. E, quando percebemos que há algo de errado, ou de que algo nos falta, lutamos para encontrar um nome para isso. [...]

Aprender a silenciar envolve desviarmos nossa atenção de nós mesmos, ao menos na maneira com que nós costumeira e compulsivamente pensamos sobre nós mesmos, olhando por sobre os ombros, ou perscrutando o horizonte. O que é que eu deveria fazer? Como poderei ser mais feliz? Sou um fracasso, ou um sucesso? O que é que as pessoas pensam a meu respeito? Tenho tudo sob controle?

Normalmente, perguntas assim determinam nossas decisões e os padrões de nosso crescimento ou declínio. Cada pergunta surge de uma percepção da própria identidade, que se auto-objetifica, e que tem, é claro, um papel pragmático necessário a representar na vida. . .. No entanto, muito facilmente, essas questões podem se transformar na predisposição dominante da mente, a partir da qual vivemos o tempo todo. Tornamo-nos seus escravos. Como nos vemos a nós mesmos (o ego tal como uma câmera de circuito interno que capta todos os gestos e todas as palavras), e como as outras pessoas nos vêem (a sensação de estarmos sendo avaliados e considerados insuficientes), geram, com a ajuda dos meios de comunicação, uma obssessão cultural com a autoimagem. Sem alteração e sem uma análise crítica, ela destrói a confiança no verdadeiro eu, que nos capacita a nos arriscarmos e a nos doarmos, em outras palavras, a viver. [. . . .]

Todos encontramos desculpas para evitar a quietude, fugindo do silêncio nascente. Todavia, quando por fim nos tornamos silentes, a vida explode com um frescor e uma pungência que é a energia da vida de Cristo. Num instante, os temores, os preconceitos, e as prisões autoconstruídas da condição humana, começam a desmoronar. Um meio de nos referirmos a isso, é o de irmos para nosso aposento interior, tal com o nos diz Jesus. Porém, ao adentrarmos esse aposento, descobrimos que nos movimentamos através de um espaço ilimitado.

original em inglês

 

An excerpt from “Dearest Friends,” A Letter from Laurence Freeman OSB, Christian Mediation Newsletter, Vol. 33, No. 3, Setembro, 2009.

 

In a noisy and overactive lifestyle, drenched in media buzz and bombarded by visual intrusions, the times of morning and evening meditation purify and recharge our silence. Attention is the muscle of silence. It is built up through regular exercise. [But] our contemporary lifestyle and the institutions that monitor us do not set much store by silence. The very nature of silence makes it easy to lose, without even realizing it. The more distracted you become the less you notice that you are not paying attention. The more external stimulus occupies the mind, the less we know that we have lost inner spaciousness. When we do eventually sense that something is wrong, or missing, we struggle to find a name for it. [. . .]

Learning to be silent involves taking the attention off ourselves, at least in the way we are usually and compulsively thinking about ourselves, looking over our shoulder or peering at the horizon. What should I do? How can I be happier? Am I a failure or a success? What do people think of me? Am I in control? 

Such questions normally determine our decisions and our patterns of growth or decline. Each question arises from a self-objectifying sense of self, which has, of course, a necessary pragmatic role to play in life. . . . But very easily these questions can become the dominant cast of mind from which we live all the time. We become their slaves. How we see ourselves (the ego like a continuously running security camera catching every word and gesture) and how others see us (the sense of being evaluated and found wanting) has, with the help of the media, generated a cultural obsession with self-image. Unchecked and unmodified, it destroys the confidence of the true self that enables us to live. [. . . .]

We all find excuses to avoid the stillness and run from the dawning silence. But when we do become silent, life bursts open with a freshness and poignancy that is the energy of the life of Christ. In an instant the fears, prejudices and the self-constructed prisons of the human condition begin to crumble. We go into the inner room, as Jesus [describes it], and as we enter this room we discover that we are moving through space boundlessly. 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.