Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Séries de Palestras

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Terça-feira da 2ª Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Uma família entra no carro logo depois do nascer do sol para uma longa viagem. Quando eles chegam, ao final do dia, a criança sai do carro e olha para o céu e diz: 'uau, o sol veio com a gente!‘

Um estágio significante no desenvolvimento psicológico é o que é chamado de descoberta da ‘permanência do objeto’. É quando percebemos que as coisas existem mesmo quando nós não estamos presentes. Até então nosso egocentrismo é tão forte que nós somos convencidos ingenuamente que tudo existe somente porque está relacionado à nossa própria existência. O processo longo, vagaroso e dolorido de separação começa com a tenra idade de seis meses e atinge seu pico nos próximos doze meses. Começa a melhorar aos vinte e quatro meses quando o ego desenvolve capacidade suficiente para aceitar essa realidade excruciante, porém inescapável.

O instinto de agarrar-se e controlar permanece conosco, entretanto, geralmente até nossa velhice. E assim, nossas mentes e sentimentos são frequentemente sentidos como sendo batalhas entre forças opostas de segurança (pertença) e perigo (separação). Algumas vezes nós nunca aprendemos: então morremos em grande aflição e impingimos grande sofrimento àqueles dos quais nós estamos nos separando. Nós devemos isso àqueles a quem nós amamos: deixá-los ir, tão logo quanto possível, na relação.

Esta é uma área onde a psicologia e a espiritualidade muito se sobrepõem. A separação torna-se desprendimento quando é voluntariamente aceita. Esta vontade decorre da percepção de que a realidade é mais bem aceita por expropriação e desapego do que por apego e possessividade. Uma compreensão meramente intelectual dessa verdade não pode sobreviver o poder de emoção envolvido em deixar ir.

A Meditação é um conhecimento profundo e integral dessa verdade. Tão logo nós comecemos a prática ela nos familiariza gradativamente, dia após dia, com o processo de deixar ir. Começamos por deixar ir os nossos pensamentos. Terminamos por deixar ir o nosso ego. A Meditação é o coração da maturidade humana. Ela abre a porta que precisamos atravessar para a plenitude da vida.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.