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Quinta-feira da Semana Santa

D. Laurence Freeman

O ser humano não vive apenas de pão. Mas pão é o primeiro nível do que nos alimenta e nos mantém seguindo em frente. Temos de nos certificar de que não o estamos comendo em excesso e de que as pessoas que passam fome também precisam da nossa ajuda para encontrar o que necessitam. A distribuição do alimento exemplifica, ao mesmo tempo, a saúde física e a saúde da justiça em qualquer sociedade.

A Eucaristia foi concebida no último ritual de Páscoa que Jesus compartilhou com seus discípulos. Ele não podia prever as grandes liturgias que acontecem na basílica de São Pedro ou na catedral de Canterbury. Mas é difícil imaginar que não soubesse que estava lançando-se na vida simbólica do ritual e o transformando; ou que ele poderia estar lhe trazendo uma nova expressão, por amalgamar a si mesmo ao ritual e àqueles que, no futuro, iriam identificar-se com ele.

Desde a infância, fui conduzido para a missa de domingo, que eu amava de um modo inconsciente. Na adolescência, perdeu o sentido para mim, à medida em que a habilidade da Igreja para tratar as principais questões com que eu me confrontava desvaneceu-se. A meditação me levou de volta à missa e à Igreja, de maneira mais madura e significativa. E vivenciei a experiência – e, mais tarde, o entendimento – de que o significado da Eucaristia é essencialmente o significado da meditação praticada na fé cristã. A presença real está no ritual na mesma medida em que no silêncio do coração. Para mim, a combinação foi explosiva.

Pão e vinho simbolizam o primeiro nível de alimento. Mas não nos dirigimos à Eucaristia para encher nossos estômagos (parece que os primeiros cristãos eram um pouco mais bagunceiros que nós, seus descendentes passivos e sedados, sentados nos bancos da igreja, enquanto eles passavam dos limites). A Eucaristia é um símbolo físico vivo e a promulgação da presença real. Mas é também um sinal do tipo de vida que estaríamos vivendo no mundo se estivéssemos realmente presentes para esta presença real. É este o desafio. E apenas este encontro vai “trazer as pessoas de volta à Igreja” (se é assim que queremos colocar a questão). A Eucaristia não é o privilégio de um clube fechado. É um testemunho para aqueles que não estão no clube, e que não é um clube, mas uma comunidade de coração aberto.

A presença real de Cristo é radicalizada. É uma ameaça a toda estrutura de poder que os humanos já construíram, incluindo as estruturas cristãs, incluindo os papéis muitas vezes confusos que o clero e os leigos desempenham juntos. O ministro da Eucaristia não é o padre, mas o próprio Cristo – uma bela ideia em geral invisível na prática mas, ainda assim, uma verdade essencial. A mensagem é uma comunidade sem hierarquia, ainda que os seres humanos anseiem por hierarquia e medidas de subordinação para se sentirem seguros. A mudança litúrgica é, por esta razão, a mais duramente repelida das mudanças.

Quando uma pessoa rica ou uma celebridade vem comungar, ela não pede mais pão ou um cálice melhor para beber dele, e não daquele outro, compartilhado com os pobres. A Última Ceia é a primeira proclamação de igualdade radical que revoluciona a relação entre homens e mulheres e crianças – e da humanidade com o planeta.

A mensagem é tão fresca a cada celebração que precisamos meditar após a comunhão para absorvê-la. Para unir e incorporar a presença interior e a exterior.

 


 

 

Texto original em inglês

Holy Thursday


Man does not live on bread alone. But bread is the first level of what feeds us and keeps us going. We need to ensure that we don’t eat too much of it and to recall that the materially hungry also need our help in finding what they need. Distribution of food exemplifies both physical health and the health of justice in any society.



The Eucharist was conceived in the last Passover ritual that Jesus shared with his disciples. He could not have foreseen the great liturgies taking place today in St Peter’s or Canterbury Cathedral. But it is hard to imagine that he did not know that he was plunging into the symbolic life of the ritual and transforming it; or that he might be giving a new expression to it by merging himself with it and with those who, in future, would identify themselves with him.


From childhood, I was reared on Sunday mass and loved it in an unconscious way. In adolescence it lost its meaning for me, as the Church’s ability to address the major issues I was confronting faded. Meditation brought me back to the mass and to the Church in a meaningful and more mature way. I came to experience - and later to understand - that the meaning of the Eucharist is essentially the meaning of meditation practiced in Christian faith. The real presence is in the ritual as much as it is in the silence of the heart. This combination, for me, was explosive.


Bread and wine symbolize the first level of food. But we don’t go to the Eucharist to fill our stomachs (it seems the early Christians were a bit more rowdy than us, their sedate, passive descendants sitting in pews, and they went over the top in their celebrations). The Eucharist is a living physical symbol and enactment of the real presence. But it is also a sign of the kind of life we would be living in the world if we were really present to this real presence. This is the challenge. And only meeting this will ‘bring people back to the church’ (if that is how we want to put it). The Eucharist is not a closed club privilege. It is a witness to those who are not in the club that it is not a club but an open-hearted community.



The real presence of Christ is radicalizing. It is a threat to every power structure that humans have ever constructed, including Christian structures, including the often strange roles that clergy and laity play out together. The minister of the Eucharist is not the priest, but Christ himself – a nice idea often invisible in the practice but still an essential truth. Community, not hierarchy, is the message even though human beings long for hierarchy and some measure of subordination in order to feel safe. Liturgical change, for this reason, is usually the most bitterly resisted kind of change.


When a rich person or a celebrity comes to communion he does not demand more of the bread or a better chalice to drink from than that shared with the poor.

The Last Supper is the first proclamation of radical equality that revolutionizes the relations between men and women and children – and of humanity with the planet. 
 
This message is so fresh in every celebration that we need meditation after communion to absorb it. To unite and embody the inner and outer presence.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.