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Sábado Santo

D. Laurence Freeman

Um dia de transição. De escolha entre paciência e inquietação. De "esperar com alegria" ou de raiva por perda de controle.

Eu contei a alguém recentemente sobre um amigo em comum que estava "em transição", querendo dizer que ele estava em um daqueles períodos de intervalo da vida. As pessoas para quem eu estava contando pareciam chocadas e totalmente surpresas. "Eu nunca teria pensado ..." eles começaram a dizer. Como poderíamos dizer "em transição" sobre nós mesmos ou qualquer um, facilmente, em qualquer dia ou em qualquer fase da vida, fiquei surpreso com a resposta deles. Então o mal-entendido surgiu do canto onde todos os mal-entendidos se escondem. Por "em transição" eles pensaram que eu quis dizer mudança de gênero.

Esta seria de fato uma grande transição, cheia de medo, esperança e expectativa por qualquer um que se sente compelido a realizá-la. Mas, de fato, a transição do Sábado Santo para o paciente Cristão não é menor. Quando refletimos sobre o que está acontecendo no fundo da terra, fora da vista, longe do alcance da mente dualista, vemos uma mudança evolutiva e irreversível em andamento. Tendo atravessado o vale da morte, Jesus mergulha profundamente em todas as camadas de matéria e consciência a partir das quais o humano surgiu, através de todos as agitações da consciência planetária e cósmica.

Os ícones ilustram isso como a "descida ao inferno", as regiões inferiores que permanecem intocáveis e incognoscíveis às funções comuns da mente humana. Eles são estranhos ao que pensamos como civilização. Alcançando essa mente profunda da criação, Jesus - e talvez todos os que morrem - tocam a fonte onde ela também é vista como o ponto de retorno. Em todo ciclo há um ponto de virada, onde o yin transita para o yang e por sua vez o yang gera o yin. Em toda jornada há um ponto que nos deslocamos imperceptivelmente de ser quem deixou para ser aquele que está chegando.

Hamlet persegue essa jornada ao longo do horizonte de eventos "De onde nenhum viajante retorna". E se um viajante retornar? E se essa unidade que nos permite falar da humanidade como um todo, não apenas como uma massa de indivíduos, pudesse ser tocada e reunida em alguém que faz essa jornada não apenas para si mesmo, mas conosco e, compassivamente, por nós? O que isso diria sobre a nossa vida do dia a dia na superfície, sobre a unidade da unidade familiar humana e sobre o significado da morte, nossa finalidade final?

Valeria a pena esperar pacientemente, apenas para ver. Precisaríamos de paciência para a vinda daquele momento de consciência, chamado a visão da fé, onde vemos que o retorno aconteceu porque está acontecendo. Elevar-se desta profundidade seria mais do que uma transição para outro ponto do espectro. Seria uma transformação completa, uma ponte entre opostos, a conquista do medo. Não menos, na verdade, do que uma nova criação. Enquanto ainda passamos pelos ciclos da vida, já estaríamos compartilhando na mente daquele que retorna, vendo através de seus olhos. Nos sentiríamos como se - junto com toda a humanidade antes e depois de nós - estivéssemos, finalmente, acordando.

 


 

 

Texto original em inglês

Holy Saturday

A day of transition. Of choosing between patience and restlessness. Of ‘waiting in joyful hope’ or of anger at loss of control.

I told someone recently of a mutual friend who was ‘in transition’, meaning they were at one of those in between periods of life. The person I was telling looked shocked and utterly taken aback. ‘I would never have thought..’ they started to say. As we could say ‘in transition’ of ourselves or of anyone on pretty well any day or in any phase of life, I was surprised by their response. Then the misunderstanding crept out of the corner where all misunderstandings hide. By ‘in transition’ they thought I meant gender change.

This would indeed be a major transition, filled with fear, hope and anticipation by whoever feels compelled to undertake it. But, in fact, the transition of Holy Saturday for the patient Christian is not less. When we reflect on what is happening deep down in the earth, out of sight, far out of reach of the dualistic mind we see an irreversible, evolutionary change is underway. Having crossed the valley of death, Jesus dives deep into all the layers of matter and consciousness from which the human has arisen, through all the stirrings of planetary and cosmic consciousness.

Icons illustrate this as the ‘descent into hell’, the nether regions that remain untouchable and unknowable to the ordinary functions of the human mind. They are alien to what we think of as civilization. Reaching this deep mind of creation, Jesus – and perhaps all who die – touches the source where it is also seen as the point of return. In every cycle there is a turning point, where yin transitions to yang and in time yang yields to yin. In every journey there is a point where we shift imperceptibly from being the one who left to one who is arriving.

Hamlet peers into this journey over the event horizon ‘from whose bourn no traveler returns’. What if one traveler does return? What if that unity that allows us to speak of humanity as a whole, not just as a mass of individuals, were to be touched and gathered into one who makes this journey not just for himself but with and, compassionately, for us? What would that say about our life on the daily surface, about the unity of the human family unity and about the meaning of death, our final finality?

It would be worth waiting patiently for, just to see. We would need patience for the coming of that moment of consciousness, called the vision of faith, where we see that the return has happened because it is happening. To rise from this depth would be more than a transition to another point on the spectrum. It would be a complete transformation, a bridging of opposites, the conquest of fear. Not less, in fact, than a new creation. While still going through the cycles of life, we would be already sharing in the mind of the one who returns, seeing through his eyes. We would feel as if - along with all humanity before and after us – that we were, finally, waking up.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.