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Quarta Semana do Advento

D. Laurence Freeman, OSB

Advento 2019 - quarto domingo

O que é incomum na história da Natividade é como ela é comum - deixando de lado o grupo de anjos e a visita dos Três Reis, que podemos tomar como sendo complementos simbólicos. Eles simbolizam, no entanto, quão maravilhoso é este novo membro da espécie humana - um daqueles que justificam o fato de nos chamarmos de homo sapiens. Mas a maravilha brilha no comum, como luzes de árvore de Natal quando se entra numa sala escura.

Jesus não veio de uma família pobre, mas de uma classe de artesãos, não de um príncipe real ou parte de qualquer elite. Não encontrar um quarto em uma pousada quando há uma grande conferência na cidade já aconteceu com muitos outros. Ele nasceu numa manjedoura, o que poderia significar um "lugar para ovelhas". Autores posteriores descreveram o local como uma caverna. As cavernas são símbolos antigos de um encontro com Deus. Origenes pensou que poderia ter sido uma caverna onde as ovelhas eram guardadas, talvez num antigo local dedicado ao deus Tamuz, patrono dos pastores. Quaisquer que sejam os fatos, os pastores estão fortemente incluídos no quadro simbólico. Jesus mais tarde chamou a si mesmo de "Bom Pastor" e a representação artística mais antiga dele é como um jovem pastor carregando a ovelha perdida (na verdade um bode) sobre seus ombros. Embora que no Israel antigo, quando eram nômades, os pastores tiveram uma boa imagem pública, na época de Jesus já tinha se tornado uma classe desprezada. Pelas circunstâncias do seu nascimento, tudo isso sugere que Jesus era igualmente capaz de lidar com os ricos e poderosos, mas estava preferencialmente voltado para os pobres e os marginalizados.

O Verbo eterno que se fez carne em uma caverna em Belém também se forma e toma forma em nós através de nossa vida diária. Tudo o que fazemos, pensamos, dizemos, tudo o que simplesmente nos acontece e evoca uma resposta, consciente ou não, tem uma influência sobre esta formação. São Paulo, como guia espiritual das suas comunidades, experimentou as dores do parto conforme "Cristo é formado em vós" (Gal 4, 19). É um nascimento, uma encarnação do Eu de Deus, que se realiza no mais profundo de nós; e no entanto é sentido por aqueles com quem vivemos, especialmente aqueles que têm uma preocupação especial por nós - como nós por eles. Esta é a experiência tanto da intimidade pessoal como da comunidade.

Ir. Lawrence, um irmão leigo carmelita num mosteiro movimentado em Paris, no século XVII, era conhecido pela sua profunda experiência da presença de Deus. Ela irradiava dele e levou outros a despertar para ela. Ele tinha que ir todos os dias ao mercado e negociar o preço das mercadorias e depois supervisionar uma cozinha movimentada. Ele disse que sentia a presença mais forte lá do que na igreja. O sentido contínuo da presença de Cristo é o objetivo da meditação e do Advento, que agora culmina na época do Natal.

A mensagem é, não se torne demasiado carola, demasiado autoconsciente, demasiado elitista artificialmente sobre a sua conscience experiência do nascimento do Verbo. O Irmão Lawrence compreendeu a espantosa revelação de Deus naquilo que é comum e que isso não significa que tenhamos de nos tornar pessoas de aparência especialmente santa, mas apenas que nos tornemos quem somos de verdade: 'Devemos aplicar-nos incessantemente a este único fim, para governar todas as nossas ações, de modo que elas possam ser pequenos atos de comunhão com Deus; mas elas não devem ser estudadas, devem vir naturalmente, a partir da pureza e simplicidade do coração'.

À medida que a Palavra se torna carne em nossos corpos, mentes, sentimentos e todos os nossos relacionamentos, mais e mais de quem eu sou se torna encarnado na Palavra. Que é, naturalmente, a principal razão pela qual dizemos "Feliz Natal" e não apenas "Boas Festas". Feliz Natal!

 

 


 

Original em inglês

Fourth Week of Advent

What is extraordinary about the Nativity story is how ordinary it is – leaving aside the host of angels and the visit of the Three Kings which we can take as being symbolic add-ons. They symbolise, though, just how wonderful is this new member of the human species - one of those who justify our calling ourselves homo sapiens. But the wonder glows in the ordinary, like Christmas tree lights when you walk into a darkened living-room

Jesus did not come from a poverty-stricken family but an artisan class, not a royal prince or part of any elite. Not finding a room at an inn when there is a big conference in town has happened to many others. He was born in a manger, which could mean a ‘place for sheep’. Later authors described it as a cave. Caves are ancient symbols of an encounter with God. Origen thought it might have been a cave where sheep were kept, perhaps on an old site of the god Tammuz, patron of shepherds. Whatever the facts, shepherds are strongly in the symbolic picture. Jesus later called himself the ‘good shepherd’ and the oldest artistic representation of him is as a young shepherd carrying the lost sheep (actually a goat) over his shoulders. Although in ancient Israel, when they were nomads, shepherds had a good public image, by the time of Jesus they had become a despised class. From the circumstances of his birth, all this suggests, Jesus was equally able to handle the rich and powerful but was preferentially turned towards the poor and the marginalised.

The eternal Word that became flesh in a cave in Bethlehem also forms and takes shape in us through our daily lives. Everything we do, think, say, everything that just happens to us and evokes a response, consciously or otherwise, has an influence on this formation. St Paul, as a spiritual guide to his communities, experienced the pains of childbirth as ‘Christ is formed in you’ (Gal 4:19). It is a birthing, an embodiment of the Selfhood of God, that takes place in the deepest part of us; and yet it is felt by those with whom we live, especially those who have a special concern for us – as we for them. This is the experience both of personal intimacy and of community.

Br Lawrence, a Carmelite lay brother in a busy monastery in Paris in the 17th century, was renowned for his depth of experience of God’s presence. It radiated from him and he led others to awaken to it. He had to go to the market every day and haggle over the price of the groceries and then supervise a busy kitchen. He said he felt the presence more strongly there than in church. The continuous sense of the presence of Christ is the goal of meditation and of Advent which now culminates in the season of Christmas.

The message is, don’t become too pious, too self-conscious, too artificially elitist about your mindful living in the birth of the Word. Brother Lawrence understood the amazing revelation of God in the ordinary and that it doesn’t mean we have to become special holy looking people, just our true selves: ‘We should apply ourselves unceasingly to this one end, to so rule all our actions that they may be little acts of communion with God; but they must not be studied, they must come naturally, from the purity & simplicity of the heart.’

As the Word becomes flesh in our bodies, minds, feelings and all our relationships, more and more of who I am becomes embodied in the Word. Which is, of course the main reason we say ‘happy Christmas’ not just ‘happy holidays’. Happy Christmas!