Carta 31 - O efeito da meditação na saúde

ESCOLA DE MEDITACAO WCCM

Ano 2 - Carta 31

 

O efeito da meditação na saúde

Cara(o) Amiga(o)

Um dos leitores destas “Cartas” perguntou, por que em nossa comunidade não enfatizamos os benefícios que a meditação traz para a saúde, como outros grupos fazem. 

 

Laurence Freeman resumiu uma resposta: “De uma perspectiva espiritual você relaxa para meditar, ao invés de meditar para relaxar”. (“Jesus, O mestre interior”)   

 

Por que a meditação é tão popular atualmente e especialmente em nosso mundo secular? A principal resposta é que a meditação tem demonstrado ser um excelente antídoto contra o estresse, que é a causa de muitas doenças do nosso tempo.

 

O estresse afeta a liberação de importantes hormônios na corrente sanguínea. Os dois mais importantes são a serotonina e o cortisol. A serotonina é uma substância química que influencia nosso estado emocional: um estado emocional de felicidade está associado com a elevação dos níveis de serotonina, já um estado de infelicidade está associado com a queda desses níveis. O estresse reduz consideravelmente os níveis de serotonina.  Além disso, o estresse leva a níveis mais altos de hormônio cortisol na nossa corrente sanguínea, o que dispara nosso reflexo de “fugir ou lutar”. Isso é o que leva a um permanente estado de tensão, e de estar alerta para o perigo, o que por sua vez leva à perda de memória, depressão e ansiedade. 

 

O impacto da meditação sobre o estresse está por trás das muitas provas de seus benefícios para a saúde. Em alguns pacientes, a meditação regular está associada à redução de doenças cardiovasculares, assim como à diminuição da pressão arterial, sendo ambos possíveis resultados de um melhor controle do estresse. O hábito da meditação traz também benefícios psicológicos, tais como: redução da ansiedade e da depressão, melhoria dos mecanismos com que lidamos com as situações  (sejam eles relacionados a doenças ou a dores crônicas), lidando também com o comportamento da dependência, sendo isso tudo, ao menos em parte, diferentes manifestações do estresse. (livro ‘The Blissful Brain’ de autoria da Dra Shanida Nataraja)

 

Esses benefícios da meditação à saúde também alcançam aqueles que a praticam como uma disciplina espiritual, mas nesse contexto eles são entendidos como sendo “efeitos colaterais positivos”, e não como o objetivo principal. 

 

A meditação como uma disciplina espiritual não trata apenas da integração do corpo, mas  também da integração da mente e do espírito: a integração de todo nosso ser; o silêncio da meditação  permite que nos  transformemos em quem estamos destinados a ser: um ser que age por amor, pacífico e harmonioso.  Nos movemos da superfície para as profundezas de nosso ser, onde Cristo habita. E, ao fazer isso, não somente conseguimos um relacionamento melhor conosco mesmo, mas também com os outros, com a criação, e com a Realidade Divina, na qual todos nós estamos inseridos.

“Homens e mulheres devem ser antes restaurados para si mesmos, fazendo de si mesmos como se fora um degrau, para que disso possam ser elevados a Deus.” (Santo Agostinho)

 

por Kim Nataraja

 

  

 Até a próxima semana!

Escola da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã
BRASIL

 

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Na ‘Conferência IX’ de João Cassiano, Abba Isaac, um dos Padres do Deserto, começa a ensinar a Cassiano e seu amigo Germano, sobre a oração. Ele primeiro enfatiza que existem diferentes tipos de oração. “O apóstolo [São Paulo] aponta quatro tipos de oração. ‘Recomendo, pois antes de tudo, que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens’ (1Tm 2,1). Ora, pode-se ter certeza de que essa divisão não foi feita inconsequentemente pelo Apóstolo.

Então, devemos primeiro investigar o que se quer dizer por pedido, por oração, por súplica e por ação de graças.” Abba Isaac continua com explicações detalhadas dos tipos de orações mencionados, quando cada um deles é apropriado, e conclui dizendo: “Portanto, todos estes tipos de orações... são valiosos para todos os homens [e mulheres] e, de fato, são realmente necessários.” Ele chega a ilustrar como o próprio Jesus usava cada um destes tipos de orações. Ele segue com uma explicação da oração que Jesus nos ensinou, o ‘Pai Nosso’, e a denomina a mais perfeita das orações.

Mas, finalmente, ele chega à mais desejável de todas as orações: a ‘oração pura’, ‘contemplação’, quando não mais estamos conscientes de que estamos orando e, então, ele cita Santo Antão: ‘A oração não é perfeita quando o monge está consciente de si mesmo e do fato de que ele está realmente orando.’ Abba Isaac enfatiza que todas as formas de oração podem conduzir à ‘oração pura’: o que se faz necessário é persistência e fé.

Ele, então, os incita para que eles “sigam o preceito do Evangelho, que nos instrui a entrar em nosso quarto (Mt 6,6), e fechar a porta, para então orar ao nosso Pai. Nós oramos em nosso quarto quando retiramos nossos corações completamente da confusão de todo pensamento e preocupação, e revelamos nossas orações ao Senhor em segredo, por assim dizer, intimamente. Nós oramos com a porta fechada quando, com os lábios cerrados, e em total silêncio, oramos “àquele que busca corações, e não vozes”.

Aqui ele mostra o fundamento da contemplação, sem dizer a eles como ‘entrar em seu quarto’. Mas, na próxima Conferência ele explica como fazer isso, quando Cassiano e Germano mostram que estão prontos para esse tipo de oração ao fazerem a pergunta correta. Agora chegamos ao caminho de oração que John Main encontrou, para sua alegria, nos ensinamentos de Cassiano: orar com uma ‘fórmula’, que leva à contemplação.

Abba Isaac não restringe este tipo de oração a certos períodos do dia, mas incita Cassiano e Germano no sentido de ‘orar sem cessar’; “Você deveria, eu digo, meditar constantemente sobre este verso em seu coração. Você não deveria parar de repeti-lo enquanto estiver fazendo qualquer tipo de trabalho, ou realizando algum serviço, ou participando de uma jornada. Medite sobre o verso enquanto estiver dormindo, e comendo, e cumprindo as menores necessidades da natureza.”

Embora não se possa negar a importância deste tipo de oração para nós, e para os Cristãos primitivos, devemos lembrar que é apenas uma das formas de oração, dentre tantas outras. Laurence Freeman usa a imagem de uma roda para exemplificar os tipos de oração: “Pense na oração como uma grande roda. A roda gira em nossa vida em direção a Deus.... Os raios da roda representam os diferentes tipos de oração. Nós rezamos de formas diferentes, em horários diferentes, e de acordo com o nosso estado de espírito... Os raios são as formas ou expressões da oração, que se ajustam ao centro da roda, que é a oração do próprio Jesus... Todas as formas de oração são válidas. Todas são efetivas. Elas são informadas pela oração da consciência humana de Jesus que está dentro de nós, pela graça do Espírito Santo.” (Laurence Freeman)

 

por Kim Nataraja