Leituras

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2020 >
Quaresma 2019 >
Quaresma 2018 >
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Sexta-feira da Segunda Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Um pouco mais sobre a beleza. E como é importante ver nossa própria beleza se quisermos agir e reagir corretamente respeitando a beleza do mundo natural e humano. A justiça, a distribuição justa da riqueza, a resposta imediata a uma fome, seja qual fora a causa, manter-se fiel aos princípios democráticos que professamos, mesmo quando não é para nossa vantagem política: essas também são belezas. Elas nos salvam do caos, desumanidade e da ruptura dos valores civilizados.

Mas aquelas belezas dependem de que vejamos a nossa própria beleza. Nossa capacidade de ver isso é em parte uma questão de condicionamento social e psicológico. Isso me impressionou muito uma vez quando estava ensinando meditação em um país desenvolvido asiático. Notei dois estudantes sentados isolados do resto, olhando e escutando com um forte senso de desapego do grupo. Depois da sessão eles timidamente vieram e se apresentaram. Eles estavam lá através de uma bolsa de estudos da Coreia do Norte. Em bom Inglês eles me disseram que não haviam entendido nenhuma palavra do que eu havia dito. Aquilo, pensei, explicava o modo como me olhavam durante a palestra. Provavelmente eu parecia um ser extraterrestre. Todos os conceitos que estava explanando lhes eram estranhos, estrangeiros e sem sentido. Eles não tinham estrutura religiosa, espiritual ou intelectual para dar sentido a eles.

Até que, pelo menos, eles me ouviram dizer que a meditação é transformadora porque nos desperta e nos coloca em contato com nossa bondado essencial. Esta é uma ideia relativamente familiar, mesmo uma platitude, para muitos de nós. Mas para eles, de uma cultura que parece uma paisagem devastadoramente sombria, temerosa e opressiva, onde a arte de viver é substituída pela arte monocromática de sobrevivência, aquela ideia simples bateu como um meteorito.

A Quaresma é um tempo onde as habilidades da arte de viver são refinadas. Lápis são afiados, instrumentos afinados, palavras purificadas. Um dos benefícios da Quaresma pode ser que nós, também, levemos um saudável choque quando uma platitude se torna uma visão original. Minha verdadeira natureza é uma obra de beleza. Ela ressoa com a beleza em todas as formas ao meu redor em que eu participo. Não sou perfeito, mas bonito. Minhas muitas imperfeições até mesmo mostram a beleza mais claramente e, talvez, de forma mais comovente. Como uma mancha, um rasgo ou quebra no padrão de um bonito tapete. (Não há beleza que não contenha alguma imperfeição).

 


 

Texto original em inglês

Friday Lent week Two

A bit more about beauty. And how important it is to see our own beauty if we are to act and respond rightly respecting the beauty of the natural and human world. Justice, the fair distribution of wealth, immediate response to a famine, whatever caused it, holding true to the democratic principles we profess even when it is not to our political advantage: these are beautiful things too. They save us from chaos, inhumanity and the breakdown of civilized values.

But they depend upon our having seen our own beauty. Our capacity to see this is partly a matter of social and psychological conditioning. This struck me once when I was teaching meditation in a developed Asian country. I noticed two students sitting apart from the rest looking and listening with a strong sense of detachment from the group. After the session they came up and shyly introduced themselves. They were on a business scholarship from North Korea. In good English they told me that they had not understood a word I was saying. That, I thought, explained the way they were looking at me during the talk. I must have seemed like an extra-terrestrial. All the concepts I was developing were strange, foreign and meaningless. They had no religious, spiritual or intellectual framework to make sense of them. 

Until, at least, they heard me say that meditation is transformative because it makes us aware and brings us into contact with our own essential goodness. This is a relatively familiar idea, even a platitude, for most of us. But for them, from a culture of what seems a devastatingly bleak, fearful, and oppressive landscape, where the art of living is replaced by the monochromatic art of survival, this simple idea hit them like a meteorite.

Lent is a time where the skills of the art of living are refined. Pencils sharpened, instruments tuned, words rinsed out. One of its benefits may be that we, too, get a healthy shock when the platitude becomes an original insight. My true nature is a work of beauty. It resonates with beauty in all forms around me in which I participate. I am not perfect, but beautiful. My many imperfections even show up the beauty more clearly and, perhaps, more heart-breakingly. Like a stain, a tear or a break in the pattern of a beautiful carpet. (There is no beauty that hath not some imperfection in it).

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.