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Sábado da Segunda Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

A política e o esporte juntos compõem a maior parte do que chamamos ‘notícias’. A maioria de nós sente que precisamos nos manter em contato com o que está acontecendo. No entanto, algumas vezes, nós, de alguma forma, nos prendemos viciosamente à corrente global da consciência que a mídia mantém anunciando constantemente. Não apenas as nossas opiniões, mas até as nossas emoções são manipuladas ou injetadas em nossas mentes passivamente receptivas que se tornam cada vez menos capazes de pensar por si mesmas. Recebemos as noticias que gostamos de ouvir para manter nossa alta dose de estímulo. O pensamento crítico até parece subversivo em algumas sociedades. Reagindo a isso nós podemos então rejeitar as ‘notícias’ e a mídia juntos, como os pais que optam por aprendizagem em casa.

Como sempre o melhor significado é o médio, o moderado. Isso, a Quaresma nos lembra, não é o caminho maravilhoso da opção fácil, a rota do compromisso ou da evasão às perguntas difíceis. É o fio da navalha, a alta tensão de uma corda bamba, uma ponte de cordas sobre um abismo profundo. Jesus chamou isso de ‘um caminho estreito que leva à vida’ e acrescentou a citação impopular, ‘e poucos serão os que o encontrarão’.

De alguma forma essa adição negativa sempre me fez sentir tranquilizado. Não porque eu possa dançar no fio da moderação por longo tempo antes que oscile perigosamente ou caia, porque eu não posso, mas porque me mostra que há um caminho verdadeiro. Ele realmente existe. Estranhamente, é porque eu não posso encontra-lo corretamente que eu sei que ele existe. Mesmo que eu não possa percorrer por esse caminho muito bem, pelo menos ele está lá e mesmo que eu o perca periodicamente, como deixar de recitar o mantra durante a meditação e no lugar dele resolver os problemas do mundo, eu o encontro novamente. Ou talvez, ele me encontre novamente.

Política e esporte e ‘outras noticias’ são desconfortavelmente semelhantes às nossas mentes e inconsciente. Projetamos na tela das ‘noticias locais ou mundiais’ o que está acontecendo em nossas próprias profundezas inarticuladas. Toda política é politica psíquica, por isso é tão fácil analisar os políticos – não é de se admirar que não confiemos mais neles - mas também o porquê de acharmos tão difícil nos conhecermos como realmente somos.

 

Essa semana nós meditávamos sobre a beleza – como o ascetismo (exercício espiritual) da Quaresma – acorda e refina nosso sentimento de beleza. O medo é o grande inimigo da beleza – talvez porque o medo seja a antítese do amor e não podemos perceber a beleza sem a amarmos. Assim, toda vez que nós vemos a ascensão de uma política do medo (e o ódio está sempre escondido no medo), nós deveríamos soar o alarme, porque ele soletra a profanação da beleza da vida e, com isso, a inocência, a prontidão de ser pego pela surpresa, a infantilidade que é nosso caminho – ainda que imperfeitamente seguido – para a plenitude e o significado de nossa curta vida humana.

 


 

Texto original em inglês

Saturday Lent Week Two

Politics and sport together make up most of what we call ‘news’. Most of us feel that we need to keep in touch with what’s going on. Yet, sometimes, we somehow get hooked addictively to the global stream of consciousness that the media keeps flowing constantly. Not only our opinions but even our emotions are then manipulated or injected into our passively receptive minds that become increasingly less capable of thinking for themselves. We get the news we like to hear to keep the dose of stimulation high. Critical thinking even seems subversive in some societies. Reacting against this we may then reject ‘news’ and media altogether, like parents who opt for home-learning.

As always the best is the mean, the medium, the moderate. This, Lent remind us, is not the primrose path of the easy option, the route of compromise or the evasion of hard questions. It is a  knife-edge, a high-tension tightrope, a fragile rope bridge across a deep abyss. Jesus called it a ‘narrow path that leads to life’ and he added the unpopular remark, ‘and few they are who find it’. 

Somehow that added disclaimer has always made me feel reassured. Not because I can dance on the wire of moderation for very long before wobbling dangerously or falling off, because I can’t, but because it shows me there is a true way. It does actually exist. Oddly, it is because I can’t properly find it, that  I know it exists. Even if I can’t walk this path very well, at least it is there and even if I lose it periodically, like dropping the mantra during mantra and solving the problems of the world instead, I find it again. Or, perhaps, it finds me again.

Politics and sport and ‘other news’ are uncomfortably similar to our psyches and unconscious. We project onto the screen of ‘local or world news’ what is happening in our own inarticulate depths. All politics is psychic politics, which is why it is so easy to psychoanalyze politicians – no wonder we don’t trust them anymore – but also why we find it so hard to know ourselves as we really are.

This week we have been thinking about beauty – how the asceticism (spiritual exercise) of Lent – awakens and refines our sense of beauty. Fear is the great enemy of beauty - perhaps because fear is the antithesis of love and we cannot perceive beauty without loving it. So, whenever we see the rise of a politics of fear (and hatred is always hidden in fear), we should sound the alarm, because it spells the desecration of the beauty of life and, with it, the innocence, the readiness to be taken by surprise, the childlikeness that is our way – however imperfectly followed – to the fullness and meaning  of our short human life.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.