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Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Terceiro Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Terceiro domingo da Quaresma 2017

O tempo voa – terceiro domingo da Quaresma – e o que nós aprendemos? O que perdemos, a que renunciamos, ou deixamos partir e que devíamos mesmo ter deixado? Nosso nível de medo diminuíu um pouquinho? Entendemos melhor que o “temor a Deus”, de que tanto ouvimos falar, não significa o medo de Deus que nos ensinaram – medo de ser punido quando nos pegam. Significa o que a mulher samaritana à beira do poço descobriu que significava numa tarde muito quente.

A liturgia de hoje nos leva a um dos mais dramáticos e shakespearianos encontros da vida de Jesus. Certo dia, com calor e cansado por causa da caminhada, ele parou para descansar perto de um poço. Seus discípulos foram às compras e ele ficou só. Uma mulher de um outro grupo racial apareceu para buscar água. Pelo que ela diz depois durante a conversa que se seguiu, concluímos que ela não queria ir ao poço à noite, quando as outras mulheres da cidade gostavam de ir para fazer fofoca. Porque ela própria era o tema desta fofoca. Como Jesus, ela estava só.

Vale a pena ler toda a história: João, 4, 5-42, que deve ser um dos textos mais examinados e comentados dentro de qualquer tradição.

Sua solidão não a havia tornado uma mulher amargurada ou medrosa. Mas ela tinha a língua afiada e (por ter tido cinco maridos) sem nenhum temor aos homens, mesmo numa das culturas mais misóginas. A disputa verbal entre ela e Jesus no começo mostra a impetuosidade dela e a abertura dele para todas as pessoas, onde quer que elas estejam, sem nenhum senso de condescendência por sua própria importância. Este choque de personalidades, como dois iguais, produz um resultado dramático. Ela retorna à sua inocência original (e à sua comunidade) e reconhece, mesmo numa figura masculina, a verdade, a sabedoria e o amor que foi (podemos imaginar) o que a levou a sua série de relacionamentos.

Ela era destemida, mas não tinha, até aquele meio-dia abafado e quente, encontrado o parceiro na intimidade que lhe permitisse usar esta liberdade destemida para o amor.

E nós, o encontramos?

Se ainda não, será que estamos procurando no lugar certo? Seria um poço o bom lugar para começar?

 

Quaresma 2017

Estas leituras diárias, escritas por Laurence Freeman, um monge beneditino e diretor da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã, servem como ajuda para termos uma melhor Quaresma. Este é um tempo definido de preparação para a Páscoa, durante o qual uma atenção especial é dada para a oração, maior generosidade  com os outros e o auto-controle.

É um costume abrir mão de algo, ou restringir o uso de alguma coisa durante a Quaresma mas também fazer algo adicional que beneficiará a sua espiritualidade e o tornará mais simples.  A leitura destas reflexões proverá coragem para que se torne a meditação uma prática diária ou, se já é, que se aprofunde a prática, preparando-se para os momentos de meditação com mais cuidado. As meditações da manhã e da noite se tornam então os centros espirituais de seu dia. Esta é a tradição, um modo muito simples de meditação, que nós ensinamos: 

Sente-se com a coluna ereta em quietude. 

Feche seus olhos levemente. 

Fique na posição sentada relaxadamente, mas alerta. 

Silenciosa e interiormente, comece a repetir uma oração de uma única palavra.

Recomendamos a palavra oração "Maranatha". 

Recite-a como quatro sílabas de igual duração.

Ouça-a enquanto a vai repetindo com suavidade, mas continuamente. 

Não pense ou imagine nada - mesmo que seja de ordem espiritual. 

Se vierem pensamentos ou imagens, considere-os apenas como distrações no período da meditação, e então volte apenas a repetir a sua palavra. 

Medite a cada manhã e a cada fim de tarde por cerca de vinte a trinta minutos.

Meditar com outros, em um grupo semanal, ajuda bastante a desenvolver a prática em sua vida diária.

 


 

Texto original em inglês

Third Sunday of Lent

Time is flying – third Sunday of Lent – and what have we learned? What have we lost, or renounced, or let go of, that we should have? Has our level of fear decreased a bit? Have we understood better that the ‘fear of God’ that we hear so much about doesn’t mean fear of God as we were taught it meant – fear of getting punished when we get caught. It means what the Samaritan woman at the well discovered it meant one sweltering noon.

Today’s gospel draws us into one of the most Shakespearian dramatic encounters we have of the life of Jesus. One day, hot and tired by his walk, he stopped to rest by a well. His disciples went off to the shops and he was left alone. A woman from an alien racial group appeared to get water. From what she says later in the conversation that ensued, we guess that she didn’t want to come to the well in the evening when the other woman of the village liked to come and gossip. Because she herself was the object of their gossip. Like Jesus, she was alone. 

It’s worth reading the whole story: John 4: 5-42, which must be one of the most examined and commented upon texts of any tradition.

Her solitude had not turned her into a bitter or frightened woman. But she was sharp-tongued and (having had five husbands) unfrightened by men even in one of the most misogynist of cultures. The verbal sparring between her and Jesus at the beginning, shows her spunkiness and his openness to people where they are, without any condescending sense of his own superior importance. This clash of personalities, as equals, produces a dramatic result. She returns to her original innocence (and to her community) and she recognizes, even in a male figure, the truth, wisdom and love that was (we might imagine) what took her through her serial relationships.

She was fearless but she had not, till that hot noontime, yet found the partner in intimacy who allowed her to use this fearless freedom in order to love. 

Have we?

 If not, are we looking in the right place? Might a well

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.