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Reflexões da Quaresma

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Sexta-feira da Quarta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Dias atrás, em Westminster, Londres, um homem nascido na Grã-Bretanha, na casa dos 50 anos, com um longo histórico de violência criminal e instabilidade, matou impiedosamente quatro pessoas no que foi chamado de “um outro ataque terrorista”. Ver alguém infringir um sofrimento selvagem e sem sentido a pessoas inocentes é de cortar o coração. Esses atos desaparecem das primeiras páginas, aumentam as barreiras de segurança e a doença do medo piora. Mas o luto pessoal de familiares e amigos dos que foram mortos ou feridos por essa expressão tão impessoal de ódio dura a vida toda.

O desequilibrado assassino havia se convertido ao Islã e mudado de nome várias vezes, como muitos que matam em nome de Alá e na verdade se convertem a uma visão perversa da religião, que se esconde sob o rótulo desta fé que lhes permite descontar sua ira pessoal no mundo e ser aplaudidos, por alguns, por fazer isso. A maioria desses terroristas parece ser gente mentalmente doente, reprimida, fracassada social e psicologicamente na vida, que depois se tornam alvos fáceis de radicais cruéis. 

Dizem que estes eventos continuarão acontecendo. Muitos podem ser impedidos, mas alguns, como este, sempre escaparão da rede de proteção. É uma coisa com a qual o Ocidente terá que conviver até que conflitos políticos e religiosos complexos, que não conseguimos compreender e acontecem há muito tempo em locais distantes, sejam resolvidos. Neste ínterim, atravessaremos esta era “terrorista” da mesma maneira que a humanidade atravessou outros períodos de violência e caos ainda piores.

A mídia descreve tudo isso nos mínimos detalhes, dando aos terroristas a grande publicidade que eles desejam.  Líderes políticos e religiosos denunciam tais atos com os termos mais condenatórios possíveis. Mas cada vez mais há uma sensação de deja-vu, de fatalismo na repetição do choque e do medo que lentamente devoram o coração de qualquer sociedade. E, naturalmente, é isso o que os perpetradores do terrorismo querem. 

Existe uma resposta contemplativa a estes trágicos eventos da nossa era do terror? A contemplação eleva os níveis de sabedoria e compaixão em indivíduos e na comunidade. A sabedoria é prática e sabe que, em primeiro lugar, tem que proteger os inocentes de ataques, mas que também tem que examinar as causas do que parece uma simples loucura e fazer as perguntas desagradáveis. A compaixão não pode excluir ninguém, seja inocente ou culpado. Não há maneira mais profunda de impedir a erosão de uma sociedade pelo medo e pelo ódio que estender explicitamente o poder da compaixão ao culpado. São Paulo (Romanos 12, 21) diz que é perdoar é como fazer seu inimigo queimar de remorso e vergonha. Ele ecoa as palavras do Livro dos Provérbios (25, 21) que diz, muito antes de Jesus tomar isso como ponto central de seus ensinamentos: “Se teu inimigo estiver com fome, dá-lhe comida; se estiver com sede, dá-lhe água. Porque assim tu o farás queimar de remorso e vergonha, e o Senhor Deus te recompensará.”

O perdão não é uma virtude fácil de compreender ou justificar politicamente. Mas é essencial para a cura e a sobrevivência moral. Nossa tradição de fé é comprometida com ele. O Ocidente está sendo atacado ostensivamente por terroristas por ser cristão. Quão cristãos nós somos é a grande questão que nos põe à prova. Como nós o expressamos é o nosso desafio. Na Quaresma, sobretudo, neste tempo de simplificação e redução, mesmo sob ataque e na dor, podemos recorrer à sabedoria e à compaixão presentes no coração humano, que é também a fonte da nossa fé.

 


 

Texto original em inglês

Friday Lent Week Four

In Westminster a few days ago a British-born man in his fifties, with a long history of criminal violence and instability ruthlessly killed four people in what was called another terrorist attack. The savage and pointless infliction of suffering on innocent people breaks one’s heart. It fades from the front page, security barricades are increased and the infection of fear worsens. But the personal grief of relatives and friends of those killed or injured by such an impersonal expression of hatred will last a lifetime. 

The deranged murderer had converted to Islam and also changed his name several times. Like many who kill in the name of Allah they are really converted to a perverse religious vision hiding under the label of this faith that allows them to vent their personal rage at the world and to be applauded, by some, for doing so. Most of these terrorists seem to be mentally ill, repressed, social and psychological failures in life who are easily turned by ruthless radicalisers. We are told these events will continue to happen. Many can be stopped but some, like this one, will always get through the net. It is something the West will have to live with until complex political and religious conflicts that we cannot understand and happening a long way away, are resolved. In the meantime we will live through this ‘terrorist’ age as people have lived through other, and in fact even worse, periods of violence and chaos.

The media reports it all in graphic detail, giving the high publicity that the terrorists crave. Politicians and religious leaders denounce such acts searching for the most condemnatory terms to use. But there is increasingly a feeling of deja-vu, of fatalism in the repetition of shock and fear that slowly eats away at the heart of any society. This is, of course, what the perpetrators of terrorism want. 

Is there a contemplative response to these tragic events of our age of terror?

Contemplation raises the levels of wisdom and compassion in individuals and in the community. Wisdom is practical and knows that it has first to protect the innocent from attack. But it has also to look into the causes of what seems mere madness, to ask the uncomfortable questions. Compassion can exclude no one, innocent or guilty. There is no deeper way to prevent the erosion of society by fear or hatred, than to explicitly extend the power of compassion to the guilty. St Paul (Rom 12:21) says that it is excruciating to be forgiven, like pouring burning coals on the head of your enemy. He is echoing the Book of Proverbs (25:21) that says, long before Jesus made it central to his teaching: If your enemy is hungry give him food to eat, give him water to drink. For you will heap burning coals o his head. The Lord will reward you.’ 

Forgiveness is not an easy virtue to understand or justify politically. But it is essential to healing and moral survival. Our faith tradition is committed to it. The West is, ostensibly, being attacked by terrorists because it is Christian. How Christian is the testing question. How we express it is our challenge. In Lent above all, in this season of simplification and reduction, and even under attack and in grief, we can draw on the wisdom and compassion present in the human heart and which is also the source of our faith.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.