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Reflexões da Quaresma

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Terça-feira da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Na primeira leitura de hoje nós vemos os Israelitas uma vez mais achando a caminhada pelo deserto extremamente monótona. Eles clamam por variedade e estímulos de novidade, da mesma que forma que antes eles desejavam retornar à comida familiar, ainda que ao custo de retomar a condição de escravidão. Se você conhece seus vícios, você facilmente reconhecerá esta tendência recorrente no ato de desejar.

Em recompensa à incapacidade deles de permanecer entediados e assim transcender ao desejo, eles receberam serpentes ardentes que atacavam eles. É um símbolo poderoso de como é ser controlado por seus desejos. E mais uma vez, é algo que todos nós podemos reconhecer, nos níveis mais rudimentares ou sutis. Problema para qualquer um que acha que tem controle total sobre si mesmo.  

A segunda leitura continua a expor o grito doloroso de Jesus no deserto de suas relações com aqueles que respondiam e não conseguiam reconhecê-lo. Estas pessoas personificam a miopia e a teimosia da resistência ao deserto. Elas mostram o conflito entre a ignorância delas e o fracasso dele em comunicar a elas o que ele ansiava, com o eterno anseio da parte iluminada de nós mesmos, por dar completamente. "Eu vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai", ele diz  aos seus discípulos na véspera de sua morte. 

Quando os seus detratores perguntam a ele "quem é você?" eles estão interrompendo o fluxo para rotular a experiência. Para receber o que ele tenta dar eles teriam que abandonar a ilusão de controle, a modelagem da realidade, que é o nosso pior vício. É um grau de pobreza longe demais para eles, assim como é para nós na vida a maior parte do tempo e na meditação na maior parte das vezes. Ele não pode responder a pergunta deles nos termos deles e permanecer verdadeiro. Ele teria que mentir para colocar de uma maneira que os satisfaria e alimentaria a sua auto-justificação. Então ele permanece no fluxo e responde invocando "aquele que o enviou", que é verdadeiro e que ensinou a ele tudo o que ele quer "declarar para o mundo."

Neste colapso de comunicação e início de hostilidades que levará à sua morte, ele revela uma vasta ternura. Quer o seu Pai tenha uma longa barba branca e sente num trono, ou não, ele é um oceano de verdadeira ternura. Ela é acompanhada pela sempre vulnerável gentileza de auto-reconhecimento que acontece quando somos absorvidos na verdade, na beleza ou no amor. Em Deus. 

Ele não está tentando colar um rótulo sobre outro em uma guerra de idéias. Ele não está tentando ganhar, controlar, estabelecer domínio teológico. Confrontado com o pior da religião (que odiosamente nega Deus em nome de Deus), ele abandona a religião e tudo o que nós podemos ver é a luminosidade ardente do seu espírito, seu relacionamento com a sua fonte. 


 

Texto original em inglês

Tuesday Lent Week Five

In the first of the readings for today we see the Israelites again finding the trek through the wilderness overwhelmingly tedious. They crave for variety and novel stimulation, just as they longed earlier to return to familiar food even at the cost of resuming the condition of slavery. If you know your addictions, you will easily recognise this recurrent tendency in the will.

In recompense for their inability to remain bored and so transcend their will, they got fiery serpents to bite them. It is a powerful symbol of what it is like being controlled by your desires. And again it is something we can all recognise, at gross or subtle levels. Woe to anyone who thinks they have complete mastery over themselves.

The second reading continues to expound the painful cry of Jesus in the wilderness of his relationships with those who contested and could not recognise him. These people personify the short-sightedness and bloody-mindedness of the resistance to the desert. It shows the conflict between their ignorance and his failure to communicate to them what he longed, with the eternal longing of the enlightened part of ourselves , to share completely. ‘I have shared with you everything I have learned from my Father,’ he tells his disciples on the eve of his death. 

When his detractors ask him ‘who are you?’ they are stopping the flow in order to label the experience. To receive what he tries to share they would have to let go of the illusion of control, the modelling of reality, that is our worst addiction. It is one degree of poverty too far for them, as it is for us in life most of the time and in meditation much of the time. He cannot answer their question in their terms and remain truthful. He would have to lie to put it in a way that would satisfy them and feed their self-justification. So he keeps in the flow and responds by invoking the ‘one who sent him’, who is truthful and who has taught him everything that he wants to ‘declare to the world’

In this breakdown of communication and the beginning of hostilities that will lead to his death, he reveals a vast tenderness. Whether his Father has a long white beard and sits on a throne, or not, he is an ocean of truthful tenderness. It is accompanied by the ever-vulnerable gentleness of self-recognition that happens when we are absorbed in the truth, in beauty or in love. In God. 

He is not trying to paste one label over another in a war of ideas. He is not trying to win, to control, to establish theological mastery. Confronted with the worst of religion (that hatefully denies God in God’s name), he abandons religion and all we can see is the burning luminosity of his spirit, his relationship to his source.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.