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Primeiro Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Primeiro Domingo da Quaresma 2018

As leituras da Missa de hoje dão muita reflexão sobre o caminho da meditação ou qualquer prática espiritual que nos aprofunda além do pensamento. Elas também nos lembram - como deve ser o espírito da Quaresma - a desejar o tipo certo de alimentos, comida saudável através da qual vivemos de verdade. 

A primeira leitura é a história da Grande Inundação, mito encontrado em muitas culturas antigas. Para a imaginação moderna é bastante cômico porque olhamos as coisas de modo factual e perdemos o mítico; e então vemos a história de Noé como um tipo de desenho animado. No entanto, quando damos uma chance e refletimos um pouco, o que ela nos diz ressoa muito mais forte em nós. Quem nunca experimentou uma inundação em sua vida - de perda, tristeza, sofrimento uma grande frustração das esperanças? Nós não conseguiríamos balançar a cabeça afirmativamente se não tivéssemos também encontrados uma arca que nos permitisse atravessar aquilo com o suficiente para recomeçar. 

E, esperemos, nós também vimos o colorido no céu que se tornou um sinal de que sempre poderíamos ser resilientes no futuro. O sol brilhando através de pingos de chuva revelando as belezas distintas e coloridas da parte do espectro de luz que podemos ver e sugerindo mais da beleza que está fora de nossa gama atual de percepção.

Na segunda leitura, as águas da Inundação relembram a iniciação batismal de Pedro em relação a Cristo. Os mais profundos relacionamentos de nossas vidas frequentemente começam quando estamos em crise e crescemos ao longo dos anos através da adversidade. Somos batizados em cada relacionamento significativo. À medida que Cristo cresce em nós e crescemos em Cristo, entendemos melhor Pedro quando ele diz que "prega aos espíritos na prisão". Essas partes de nós varridas por segurança para longe, como fazemos com criminosos que tememos, começam a ouvir uma nova mensagem que nos conscientiza de que são prisões feitas por nós mesmos. 

O Evangelho é tirado de Marcos, o menos prolixo e mais direto dos narradores dos evangelhos. Ele nos fala simplesmente que o Espírito levou Jesus para o deserto e ele permaneceu lá por quarenta dias e foi tentado por Satanás". Essa é uma metáfora suficiente para trabalhamos no sentido de compreendermos nossa própria Quaresma. "Ele estava com os animais selvagens e os anjos cuidaram dele".

Quais são seus animais selvagens? E quem ou o que cuida de você?

Depois, Jesus proclamou a Boa Nova que ele havia ouvido no silêncio do deserto. É condensada em um slogan de campanha fácil de lembrar: "Chegou o tempo e o Reino dos Céus está próximo. Arrependa-se e acredite na Boa Nova ".

O que você sente - excitação ou medo ou ambos - ao saber que o "tempo chegou"?

Hora para o quê?

 


 

Texto original em inglês

First Sunday of Lent

The readings in the Mass today give a lot of food for thought about the way of meditation or any spiritual practice that takes us deeper than thought. They also remind us – as the spirit of Lent is meant to do – to desire the right kind of food, healthy food and the food by which we truly live.

The first reading is the story, the myth found in many ancient cultures, of the Great Flood. To the modern imagination it is rather comical because we look at things factually and miss the mythical meaning; and so we see the story of Noah as a kind of cartoon. Yet when you give it a chance and sit with it for a while it speaks much more resonantly to us. Who has not at times experienced an inundation in their life – of loss, grief, suffering or major disappointment of hopes? We would not be able to nod in reply if we had not also found an ark that enabled us to get through it with enough to start again. 

And, let us hope, we also saw the colourful bow in the sky that became a sign that we could always be resilient in the future. The sunlight shining through raindrops revealing the distinct, colourful beauties of the part of the spectrum of light that we can see and suggesting more of the beauty that is out of our present range of perception.

In the second reading, the waters of the Flood remind Peter of baptismal initiation into relationship with Christ. The deepest relationships of our lives often begin when we are in crisis and grow deeper over the years through adversity. We are baptised into every meaningful relationship. As Christ grows in us and we grow in Christ, we understand better what Peter means by saying that he ‘preaches to the spirits in prison’. Those parts of us swept safely away from sight, as we do with criminals we fear, begin to hear a new message that make us aware they are prisons of our own making.

The gospel is taken from Mark, who is the least wordy and most direct of the gospel narrators. He simply tells us that the ‘Spirit drove Jesus out into the wilderness and he remained there for forty days and was tempted by Satan”. That is enough of a metaphor to work with to understand our own Lent. “He was with the wild beasts and the angels looked after him”. 

What are your wild beasts? And who or what looks after you?

Afterwards, Jesus proclaimed the Good News which he had heard in the desert silence. It is compressed in an easily remembered campaign slogan: “The time has come and the Kingdom of Heaven is close at hand. Repent and believe the Good News”.

What do you feel – excitement or fear or both – on hearing that the “time has come”? 

Time for what?

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.