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Reflexões da Quaresma

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Quarta-feira da Primeira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

O que nós podemos "abandonar" na Quaresma simplesmente serve à renúncia maior sobre a qual qualquer forma de vida integrada se apoia para crescer em plenitude. A Quaresma nos ajuda a lembrar o que este "deixar para trás" maior significa e como cada um de nós é chamado para tornar isso absoluto - quando a hora certa chegar. Até lá, nós simplesmente aprendemos dia-a-dia a ser tão verdadeiros quanto possível.

Em muitas religiões acreditava-se amplamente que a maior renúncia da vida somente poderia ser atingida pelo caminho monástico. Para a grande maioria, família e assuntos mundanos desencorajavam as pessoas e bloqueavam o dom pleno de ser que é a maior conquista humana. Ao virarem as costas, não apenas para carreira e fama, dinheiro, sexo e família, mas também para todos os "assuntos mundanos", os monges alcançavam a iluminação em um plano mais elevado de realidade. As palavras de Jesus - o caminho da vida é estreito e poucos o encontram - foram mal interpretadas com este significado. 

É claro, as pessoas leigas podem chegar tão perto ou até mais perto à renúncia do apego aos "assuntos mundanos" em suas vidas diárias e responsabilidades de família. Todos os tipos de vocação têm o mesmo potencial primário. O que importa não é a forma externa - a lareira da família ou o claustro - mas como nós preenchemos as responsabilidades associadas com o caminho particular que estamos seguindo. 

Entender isso significa enxergar como a renúncia acontece. Quando você empurra algum aspecto "mundano" da vida para longe de você - por exemplo um vício ou um excesso - isso não deixa você automaticamente ou imediatamente. As coisas reprimidas tendem a retornar. Quando se expele algo pela força, geralmente isso volta de alguma forma como um desejo compulsivo ou uma fantasia. Tem um gato vira-lata em Bere Island que eu alimento na cozinha mas expulso da casa, para depois descobrir que ele teve a coragem de voltar por uma porta aberta ou uma janela em outro quarto. A Quaresma e o mantra nos ensinam este balanço entre renúncia e retorno. O que parece ter nos deixado geralmente retorna. 

Quando a renúncia chega é um dom, um simples acontecimento, uma ocorrência natural. Para renunciar, nós precisamos renunciar à ideia de renúncia também. Nós não podemos renunciar por força de vontade se a renúncia essencial é a renúncia da vontade. Nós podemos afrouxar o aperto mas a renúncia ocorre por si mesma. 

Então percebemos que a única renúncia que importa é a que nos leva à total liberdade e espontaneidade. Isso antecipa a renúncia de todos os tipos de força e, ao invés disso, nos permite ser preenchidos pelo poder do espírito. 

 


 

Texto original em inglês

Wednesday Lent Week One

What we may ‘give up’ in Lent is simply serves the greater renunciation on which any integrated for of life grows into fullness. Lent helps us remember what this greater ‘letting go’ means and how each of us is called to make it absolutely – when the time is ripe. Until then, we simply learn day by day to be as real as we can be.

In many religions it was widely believed that the big renunciation of life could only be achieved through the monastic path. For the great majority, family and worldly affairs dragged them down and blocked that full gift of self which is the highest human achievement. By turning their back, not only on career and fame, wealth, sex and family but all ‘worldly affairs’ monks soared into enlightenment. on a higher plane of reality. The words of Jesus – the way to life is narrow and few find it – were misinterpreted to imply this.

Of course, lay people can come as close or closer to the renunciation of attachment to the ‘worldly affairs’ in their daily work and family responsibilities. All kinds of vocation have the same primary potential. What matters is not the outward form – the family hearth or the cloister - but how we fulfill the responsibilities associated with the particular path we are following.

To understand this means seeing how renunciation happens. When you push some ‘worldly’ aspect of life away from you – say an addiction or an excess -it does not automatically or immediately leave you alone. Things repressed tend to return. When you expel something by force it often springs back in some way if only as a compulsive desire or fantasy. There is a stray cat on Bere Island which I feed in the kitchen but throw out of the house, only to find it has had the nerve to re-enter through an open door or window in another room. Lent and the mantra both teach us this swing between renunciation and return. What appears to leave often returns. 

Renunciation when it comes is a gift, a simple happening, a natural occurrence. To renounce we have to renounce the idea of renunciation as well. We cannot renounce by will-power if the essential renunciation is the renunciation of the will. We can loosen the grip but renunciation happens by itself. 

So we come to see that the only renunciation that matters is what leads us into full freedom and spontaneity. This awaits the renunciation of all kinds of force and allows us to be filled instead with the power of the spirit.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.