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Reflexões da Quaresma

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Sexta-feira da Primeira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Certa vez John Main disse (com humor Irlandês: monges, não levem isso para o lado tão pessoal) que ele nunca tinha conhecido mais egoísmo do que nos mosteiros.

Essa é a razão dada por ele. Há dois perigos nos mosteiros. Um monge pode levar muito seriamente sua autotransformação e suas práticas espirituais, mas também pode estar focado nelas de tal maneira que nada e nem ninguém vão atrapalhar seu caminho direto para a iluminação. Geralmente essa é manifestada numa atitude critica extrema àquelas de seus irmãos que parecem menos rigorosos – um tipo de esnobismo espiritual. 

O outro perigo é ilustrado no monge que entra no claustro com o objetivo de escapar a qualquer associação desafiante com os outros ao invés de encontrar-se a si próprio nos outros. Um dos monges Cristãos do início definiu um monge como alguém que vê a si mesmo nos outros e os outros em si mesmo. Esse tipo hiperintrovertido, tipo egocêntrico de pessoa usará a rotina monástica para isolamento ao invés de encontro.

Mark Carney, o Governador do Banco da Inglaterra, recentemente falou sobre ‘Liderança e Valores’ em um Seminário de Meditatio em Londres. Ele enumerou algumas das qualidades ideais de lideres e os valores que eles encarnam, reconhecendo (como a figura do Abade na Regra de São Bento) que é improvável acontecer que todos eles se apresentem em uma pessoa ao mesmo tempo. O princípio orientador do Governador Carney, entretanto, foi o valor do propósito. Um líder precisa ter um propósito claro – e o propósito certo é sempre centrar-se no outro.

Tudo isso só pode ser relevante para nós se, de algum modo, nós formos todos monges e formos todos líderes. De acordo com a Regra, o monge é alguém que ‘verdadeiramente procura a Deus’. Não é isso o que um meditante sério faz, com profunda renúncia, à medida que sua jornada progride e transformações acontecem? Sua imagem de Deus pode ser diferente de qualquer outra pessoa e pode preferir articula-la fora de uma linguagem religiosa. Mas, no nível essencial, a experiência da meditação é a experiência de Deus – de conexão de amor, de inteireza e de universalidade.

E todos somos líderes – para crianças, por exemplo, que nos observam atentamente e nos imitam. Mesmo aqueles que fazem os trabalhos mais humildes para o mundo – os limpadores de banheiros, os varredores de ruas – podem mostram qualidades reais de líderes e serviço no modo como trabalham com seus colegas e se relacionam com o povo.  

Mas somos também líderes de nós mesmos. A quaresma é um tempo quando fazemos alguma coisa extra e nos privamos de algo familiar. Onde essa decisão é tomada? Como ela é feita? 

Qual é sua motivação? Sua fonte está naquela parte sutil de nossa própria mistura de coração-mente que vê claramente e nos dá um sentido de propósito. Não é uma parte rival ou competitiva em nós mesmos, mas a energia unificadora, curadora em nós mesmos a que chamamos espírito.

 


 

Texto original em inglês

Friday Lent Week One

John Main once said (with Irish humour: monks, don’t take it too personally) that he had never met more egotists than in monasteries. 

This is the point he was making. There are two dangers about monasteries. A monk might be very serious about self-transformation and his spiritual practice but also be focused on it in such a way that nothing and no one will get in the way of his direct path to enlightenment. Usually this is manifest in a hyper-critical attitude to those of his brethren who appear less rigorous – a kind of spiritual snobbery. The other danger is illustrated in the monk who enters the cloister with the purpose of escaping any challenging association with others rather than to find himself in others. An early Christian monk defined a monk as someone who sees himself in others and others in himself. This hyper-introverted type, self-centred type of person will use the monastic routine for insulation rather than encounter

Mark Carney, the Governor of the Bank of England, spoke recently about ‘Leadership and Values’ at a Meditatio Seminar in London. He enumerated some of the ideal qualities of leaders and the values they embodied, recognizing (as with the figure of the Abbot in the Rule of St Benedict) that it is unlikely to happen that all this will be combined in one person at the same time. Governor Carney’s guiding principle, however, was the value of purpose. A leader needs a clear purpose – and the right purpose is always other-centred.

All this can only be relevant to us if, in some sense, we are all monks and we are all leaders. According to the Rule, the monk is someone who ‘truly seeks God’.  Isn’t that what a serious meditator does, with deepening renunciation, as her journey progresses and transformation takes effect? Your image of God might not be anyone else’s and you may prefer to articulate it outside religious language. But, at the essential level, the experience of meditation is the experience of God – of love, wholeness and universal connection.

And we are all leaders – to children, for example, who watch us closely and imitate us. Even those who do the humblest service to the world – toilet attendants, street cleaners – can show real qualities of leadership and service in the way they work with their colleagues and relate to the public. 

But we are also leaders to ourselves. Lent is a time when we do something extra and give up something familiar. Where is this decision made? How is it made? What is its motivation? Its source is in that subtle part of our own mind-heart mix that sees clearly and gives us a sense of purpose. It is not a rival or competitive part of our selves but the unifying, healing energy of ourselves that we call spirit.

Does it make us more or less egocentric? Or do we feel that the real purpose of our spiritual practice is actually direct service to others? Whatever fruits and benefits it might bring us are then dedicated to the well-being of the world. As we are also part of the world, we get our fair share of those benefits provided our guiding purpose is other-centred.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.