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Reflexões da Quaresma

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Segunda-feira da Segunda Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Ainda que não tão completamente quanto na espiritualidade oriental, a igreja ortodoxa lembra da importância do corpo na oração pessoal melhor do que o faz a igreja latina. Especialmente na tradição monástica, a mente e o corpo podem se manter sincronizados com a ajuda de uma consciência da respiração e da prática de inclinações e prostrações muito similares aos ásanas da Saudação ao Sol na Ioga.

Possivelmente, qualquer espiritualidade que esteja apenas no nível mental e que se utilize apenas da força de vontade e da auto-avaliação, não conseguirá trazer o(a) praticante a um estágio mais elevado de integração e de paz consigo mesmo(a). Para os ocidentais, nunca é suficiente repetir que o objetivo da ascese, tal como o que escolhemos fazer ou não fazer durante a Quaresma, não é o de punir, senão o de purificar.

O jejum (a redução da quantidade de alimento ingerido diariamente) e a a abstinência da carne e de estimulantes (como a cafeína e o álcool) são práticas físicas que também encontramos em todas as tradições espirituais. Algumas vezes, ao iniciar uma dessas práticas a pessoa pode se dar conta de estar mais dependente do que pensava, o que a torna mais humilde e a faz progredir no auto-conhecimento.  Atualmente a dieta substitui o jejum, assim como o turismo substitui a peregrinação, mas podem ser entendidos como a mesma coisa feita por motivos diferentes. Os motivos são importantes para a qualidade e o resultado daquilo que fazemos. Talvez tenha havido uma tentativa de lançar uma ponte entre eles, quando um antigo monge sírio afirmou “procure emagrecer de modo a passar pela porta estreita”. Jesus disse que poucos podem passar por ela devido ao excesso de peso com os apêgos e as ansiedades, como o que a maioria de nós tem, ainda que “para Deus nada seja impossível”.

A própria meditação é um jejum e uma abstinência. Porém, em nosso cotidiano, a atenção à ingestão física ajuda a condicionar nossa meditação. Através de uma alimentação mais saudável podemos reduzir a sonolência, o torpor e até mesmo certos tipos de distrações. Atualmente, muitas pessoas meditam para ter melhor saúde. O meditante acaba percebendo que nos mantemos saudáveis de modo a meditar.

O sono e o descanso Também fazem parte do ritmo natural do corpo e da mente. Muitas pessoas hoje carecem de sono porque trabalham até tarde, ou assistem filmes, ou jogam games até altas horas, e muitos ainda continuam sua vida digital mesmo depois de irem para  a cama. Os monges de antigamente, por outro lado, costumavam recomendar a consciente limitação das horas de sono, incentivando acordar ainda no escuro da madrugada antes do alvorecer, para rezar. Assim que minha cabeça toca o travesseiro costumo dar um suspiro de alívio e frequentemente me lembro de Jesus dizendo não ter onde reclinar a cabeça, e caio no sono antes de aplicar isso a mim mesmo. Sempre que as pessoas realmente acordam para rezar cedo, nas horas quietas, elas descobrem uma calma e uma alegria especiais, uma certeza que as estabiliza para o dia todo.

No Cântico dos Cânticos encontramos: “Eu dormia, mas meu coração velava”. Se você adormece repetindo ou ouvindo seu mantra, poderá se surpreender fazendo-o ao acordar também. Com suficiente sono REM você poderá perceber que necessita de menos sono, ainda que o que você dorme te revigora mais. Isso ajuda a que haja menos conflito durante o dia entre os níveis consciente e inconsciente de si mesmo e, assim, podemos nos surpreender estarmos ambos mais calmos e mais intuitivos. 

 


 

Texto original em inglês

Monday Lent Week Two

The Orthodox Church, better than the Latin, but not as fully as Eastern spiritualities, remembers the importance of the body in one’s prayer-life. Especially in the monastic tradition, an awareness of the breath and the practice of bows and prostrations, some very similar to the homage to the sun asana in yoga, help to keep body and mind in sync. Perhaps any spiritually that is only at the mental level and only uses will-power and self-evaluation, will fail to bring the practicioner to a higher state of integration and peaceful ease with him or her self. One can never say often enough to westerners that the purpose of ascesis , such as what we have chosen to do or not to do during Lent, is not to punish but to purify.

Fasting (reducing one’s daily food intake) and abstaining from meat and stimulants (caffeine and alcohol) are also traditional physical practices found in all spiritual traditions. Sometimes beginning such a practice makes one aware that we are more addicted than we had realised, which is humbling and advances self-knowledge. In our time, dieting has replaced fasting, as tourism has replaced pilgrimage but they can be understood as the same things done for different motives. Motives are important to the quality and outcome of what we do. Maybe an ancient Syrian monk tried to bridge them when he said ‘try to be thin so you can pass through the narrow gate’. Jesus said few can get through it, overweight with attachments and anxieties as most of us are, although ‘nothing is impossible to God’.

Meditation itself is a fasting and abstaining. But, in daily life, attention to our physical intake helps to condition our meditation. Regular drowsiness, falling asleep and even certain kinds of distraction can be reduced by healthier nutrition. Today many people meditate to be healthier. The meditator eventually comes to see that we stay healthy in order to meditate.

Sleep and rest, too, are part of the natural rhythm of the body and mind. Many people today are sleep-deprived because they work late or watch movies or play games late and many continue their digital life even after they have got into bed. The monks of old, by contrast, used to recommend to consciously limit the hours of sleep and encouraged getting up in the dark hours before dawn to pray. As my head hits the pillow I usually give a sigh of relief and often remember Jesus saying he did not have anywhere to lay his head and am asleep before I apply it to myself. When people do get up in the early, still hours to pray they discover a special joy and calmness, a certainty that stabilises them for the whole day.

In the Song of Songs we find “I sleep but my heart is awake.’ If you fall asleep saying or listening to your mantra you may find you awake up doing so as well. With enough rem sleep you may find that you need less sleep but what you have refreshes you more. This helps the conscious and unconscious levels of  the self to jangle with each other less during the day and so we may find we are both calmer and more intuitive.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.