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Reflexões da Quaresma

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Quinta-feira da Segunda Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Na Idade Média, esperava-se que os católicos fizessem abstinência de carne, laticínios e sexo durante a Quaresma. Na tradição judaica, a moral sexual possui uma ideia bem diferente da ascese sexual. Há uma atitude mais comemorativa em relação ao sexo, que se reflete em considerar o Shabbat como o dia em que se espera que um casal casado faça sexo. As atitudes sobre sexo são condicionadas culturalmente.

Universalmente, sexo é um assunto tão delicado e difícil de ser regulado por estar entrelaçado com nossa necessidade de amor e senso da beleza. Bede Griffiths achava que é tão perigoso dar expressão irrestrita à energia sexual quanto reprimi-la. A única solução, ele dizia, é encará-la como uma energia sagrada, do modo como fizeram muitas das grandes tradição espirituais, capaz de nos transformar se lidarmos bem com ela. Mas como?


Qualquer tipo de amor, segundo Tomás de Aquino, é uma “analogia da participação” no amor divino. A teologia aqui é bela e integral. Eros é divino, pertence à vida de Deus, porque é um aspecto e uma manifestação do amor. O difícil é acreditar nisso e vivenciar esta crença no contexto de nossas vidas, junto com as inconsistências de nossa personalidade.

Muitas das pessoas mais amorosas e generosas do mundo não têm suas energias sexuais harmonizadas desta maneira ideal. Elas lutam com medo e culpa, excesso ou coercitividade. Mas, se forem honestas com elas mesmas, esta luta poderá torná-las mais humildes e, assim, criar espaço para a graça e a sabedoria fluírem nelas e até através delas.

A sexualidade é uma energia sensível e inefavelmente íntima. Ela nos conduz implacavelmente à união com outros, mas, muitas vezes dolorosamente, nos afasta deles: uma fonte de beatitude e, frequentemente, de angústia. É estranho, então, que nós sejamos tão cruéis e moralistas em relação às falhas ou indiscrições sexuais dos outros. Por nós, vamos incluir aqui muitos cristãos e a maior parte da mídia. Talvez isso ocorra porque a exposição de uma falha ou erro sexual de uma pessoa ameace expor algo semelhante de todas as pessoas. “Nós” defendemos e protegemos a nós mesmos atacando aqueles que já falharam e foram banidos.

Esta cultura de julgamento poderia ser uma coisa boa a se observar e apreender na nossa reflexão diária sobre o que fizemos e o que não conseguimos fazer. Mas então temos de agir para reduzi-la. Damos às pessoas o benefício da dúvida? Nós automaticamente aderimos ao clamor da multidão contra seu mais recente bode expiatório? Projetamos nossa própria humilhação numa condenação aos outros? Somos capazes de ver quanto de nosso julgamento dos outros provém, não de uma uma decisão bem pensada, mas de nossa absorção das opiniões da mídia, das “notícias”?
Afastar-se da multidão é uma necessidade espiritual essencial para nossa integração e para termos compaixão. Mas, para isso, precisamos encarar um segredo ainda mais perigoso do coração humano, que é a solidão.

 


 

Texto original em inglês

Thursday Lent Week Two

In the middle ages Catholics were expected to refrain from meat and dairy products and sex during Lent. Jewish tradition has a sexual morality with a very different idea of sexual ascesis. It has a more celebratory attitude to sexuality which is reflected in seeing the Shabbat as a day when a married couple are expected to have sex. Attitudes to sex are culturally conditioned.

Yet universally sex is such a delicate subject and difficult to regulate because it is so intertwined with our need for love and with our sense of beauty. Bede Griffiths thought that it was equally dangerous to give unrestricted expression to sexual energy as to repress it. The only solution, he said, was to see it as a sacred energy, as many of the great spiritual traditions have done, capable of transforming us if we handle it well. But how?

Any kind of love, according to Thomas Aquinas, is a ‘similarity of participation’ in divine love. The theology here is beautiful and integral. Eros is divine, belonging in the life of God, because it is an aspect and manifestation of all love. The difficult thing is believing it and then living the belief in the context of our lives along with the inconsistencies of our own character.

Many of the most loving and generous people in the world have not got their sexual energy harmonised in this ideal way. They struggle with fear and guilt, excess or compulsiveness. But if they are honest with themselves this struggle itself can humble them and so create spaces for grace and wisdom to flow in and eventually through them.

Sexuality is a sensitive and ineffably intimate energy. It relentlessly drives us to union with others but also often and painfully separates us from them: a source of bliss but often of anguish. It is odd, then, that we can be so cruel and high-minded towards other’s sexual faults or indiscretions. By we, let’s include many Christians and most of the media. Perhaps the reason for this is that when a sexual fault is exposed in one person it threatens to expose something of the same kind in everyone. ‘We’ defend and protect ourselves by attacking those who have already failed and been cast out.

This judgementalism might be a good thing to observe and arrest in our daily reflection on what we have done or failed to do. But then we have to act to reduce it. Do we give people the benefit of the doubt? Do we automatically join in the jeers of the crowd as it turns on its latest scapegoat? Do we project our own shame into a condemnation of others? Can we see how much of our judgeing of others comes not from our own considered decision but through our absorption of the opinions of the media, the ‘news’.

Stepping outside the crowd is a spiritual necessity essential for integrating ourselves and for being compassionate. But to do it we must face an even more dangerous secret in the human heart which is loneliness.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.