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Reflexões da Quaresma

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Sexta-feira da Segunda Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

A solidão pode ser um segredo e uma fonte de vergonha ainda maior do que uma disfunção sexual. As estatísticas sociais – e as soluções governamentais que se preocupam com a saúde mental – sugerem que um número cada vez maior de pessoas, jovens e idosas, relatam sentirem-se desconectadas dos outros, não amadas e sem ninguém com quem partilhar. É uma coisa horrível...

Quando nos sentimos sozinhos e, verdade seja dita, solidão é parte da condição humana, percebemos que não podemos e não existimos de forma independente. Nós nos sentimos falsos, irreais, estranhos e deslocados, porque a verdade é que não temos inteireza que seja suficiente por si só. ‘Nenhum homem é uma ilha’. Ainda assim é também uma verdade dolorosa que há algo em cada um de nós que não pode ser totalmente dividido e revelado como gostaríamos. A solidão pode acontecer mesmo nas relações mais íntimas e amorosas. Muitas vezes quando queremos ser o mais aberto e transparente possível descobrimos que isso não funciona.

Quando entramos na Semana Santa notaremos isso nas partes da história onde Jesus é mostrado em seu terrível isolamento, mal interpretado por seus amigos, rejeitado por seus inimigos por falsas razões. Não é surpresa que quando isso aparece em nós mesmos, muitos tentam dourar a pílula, tornando-se mais ocupados, parecendo horrorizados com um momento de vazio em seu dia ou semana, juntando-se a mais redes virtuais, procurando qualquer forma de fuga. Mas, comunidade não é tudo. Não funciona, não mais do que pode o casamento, para as pessoas que falham em enfrentar sua solidão.

Se nos vemos fugindo de nossa solidão, envergonhados dela e fazendo dela um segredo, também deveríamos ver como estamos deixando de aprender a lição que ela está nos ensinando. Para seus seguidores, Jesus é o mestre da solidão e, vendo isso, podemos emergir do isolamento para o amor. Ao confrontar sua solidão ele era profundamente silente. Ele não culpou seus discípulos que o abandonaram ou os poderosos que dele abusaram. Suas últimas palavras mostram que esse não foi um silêncio de amargura, mas de amor.

O silêncio é aterrador em nossa cultura. Quanto mais sós nos tornamos, mais aumentamos o volume da vida e, como evidencia a excessiva sexualização de nosso mundo, a intensidade da distração. Precisamos nos permitir ficar em silêncio. Simplesmente deixarmo-nos silenciar. Fazendo isso com outros, por vezes fazendo silêncio, sem conversar, no verdadeiro trabalho de estar juntos, intuitivamente nos permite ver a solidão de outros sem que isso nos amedronte. Veremos que nessa solidão está nosso potencial para Deus e, então, começaremos a olhar uns para os outros com olhos mais gentis e sábios. A dor da solidão dá lugar à clareza da solitude e nos tornamos solitários num amor em comum.

Com Amor

Laurence Freeman

 


 

Texto original em inglês

Friday Lent Week Two

Loneliness can be an even bigger secret and source of shame than sexual dysfunction. Social statistics – and government responses to them out of concern for mental health – suggest that an accelerating number of people, young and old, report that they feel disconnected from others, unloved and with no one to share with. It is an awful thing.

When we feel lonely – and, if truth be told, loneliness is part of the human condition – we realise that we do not and cannot exist independently. We feel false, unreal, odd and out of place because the truth is that we have no wholeness sufficient to itself. ‘No man is an island’. Yet it is also painfully true that there is something in each of us that cannot be as fully shared and revealed as we would like. Loneliness can open up even in the most intimate and loving relationships. Often when we want to be most open and clear we find it doesn’t work.

When we enter Holy Week we will notice this in those parts of the story where Jesus is shown in his terrible isolation, misunderstood by his friends, rejected for false reasons by his enemies. Not surprisingly when this appears in ourselves many try to gloss it over, become busier, look aghast at an empty space in their day or week, join more online networks, seek any form of escape. But community is not everything. It does not work, any more than marriage can, for people who fail to face their loneliness.

If we see ourselves running away from our loneliness, ashamed of it and secretive about it, we should also see how we are not learning the lesson it is teaching us. For his followers, Jesus is the master of loneliness and, seeing that, we might emerge from isolation into love. In his confrontation with his loneliness he was deeply silent. He did not blame his disciples who let him down or the powerful who abused him. His last words show that it was not the silence of bitterness but of love.

Silence is terrifying to our culture. The more lonely we become the more we turn up the volume of life and, as in evident in the over-sexualisation of our world, the intensity of distraction. We need to allow ourselves to be silent. Simply let ourselves be silent. Doing this with others – at times making silence, not talk, the real work of being together – intuitively allows us to see the loneliness of others without being frightened by it. We shall see that in this loneliness is our potential for God and so we begin to look at each other with gentler and wiser eyes. The pain of loneliness gives way to the clarity of solitude and we become solitaries in a common love.

 With Love

Laurence Freeman

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.