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Sexta-feira da Quarta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Em última análise a limpeza das portas de percepção leva à pureza do coração e à consumação de toda percepção consciente na visão de Deus.

Cada grau de percepção – eles não podem ser numerados – é uma porta que leva a outra. Se alcançarmos um determinado nível de consciência – por exemplo: na paz e clareza da mente ou na consciência sem imagens – seremos tentados a pensar que chegamos ao fim da jornada. Deus, no entanto, em direção a quem a jornada está sendo feita, é infinitamente simples. Chegar sempre significa começar de novo.

Em nossa forma de meditação, isto explica o ensinamento em dizer o mantra continuamente e aceitar que ‘nós não escolhemos quando parar de dizê-lo’. No entanto isto não significa, como alguns temem quando o escutam pela primeira vez, que estamos condenados a uma perpétua repetição monótona e mecânica. Pelo contrário, a prática fiel limpa o caminho. O mantra é como um quebra-gelo abrindo o caminho para os níveis mais profundos e mais sutis de percepção.

Ao fazer isso, o mantra é recitado com mais cuidado e atenção, com o grau de sutileza apropriado ao nível ao qual fomos levados. John Main descreveu esse trabalho do mantra como escalar a parede de uma montanha. Quanto mais subimos, mais o mantra soa enfraquecido no vale abaixo de nós; mas continuamos a dizê-lo ou ouvi-lo assim que caímos nos níveis anteriores de distrações ou turbulência.

Às vezes isto pode nos levar ao mais completo silêncio que significa o deixar ir da autoconsciência e de observar-se a si mesmo. Nós estamos então, de certa maneira, além da experiência, porque experiência no sentido comum é sempre como nós lembramos ou descrevemos alguma coisa que não mais está presente totalmente. Muitas pessoas que se lembram de uma experiência boa sonham em reavê-la e se lamentam por perdê-la. Muitas vezes, do que elas se lembram e chamam de experiência parece muito diferente do que realmente aconteceu.

Isto é viver no passado. Mas a essência da consciência contemplativa é absorver e integrar o passado, e então leva-la cada vez mais para uma entrada mais profunda do momento presente. A limpeza verdadeira dos nossos níveis progressivos de consciência, que é o que crescimento significa, progride pelo tocar e abrir o mais profundo do núcleo de nosso ser, na caverna, o abismo, do nosso coração.

Tudo o que é bom sobre nossa humanidade está lá aguardando liberação e cumprimento. A esse nível de sermos nós passamos por uma transformação que não pode ser observada porque ocorre simultaneamente dentro e fora de nós. Muitas vezes nos tornamos conscientes da mudança interior ao perceber o novo poder de perdão, veracidade e compaixão em nossa vida diária. Esses frutos do espírito nos apontam para uma mudança interior que não podemos ver acontecer. Sem tentar, no entanto, nos tornamos conscientes disso no silêncio de um coração puro (sem esforço ou controle de nossa parte).

Então vemos Deus não em uma visão objetiva, mas com liberdade de espírito. Isso é oração e é a resposta para todas as formas de oração.

 


 

 

Texto original em inglês

Friday Lent Week Four

Ultimately the cleansing of the doors of perception lead to purity of heart and the consummation of all conscious perception in the vision of God.

Every degree of perception - they cannot be numbered – is a door into another. If we reach a certain level of awareness – for example in peace and clarity of mind or imageless awareness – we may be tempted to think that we have reached the end of the journey. God, however, into whom the journey is being made, is infinitely simple. To arrive always means to set out again.

In our way of meditation, this explains the teaching about saying the mantra continuously and accepting that ‘we do not choose when to stop saying it’. However this does not mean, as some fear when they first hear it, that we are condemned to life-sentence of monotonous and mechanical repetition. Quite the reverse, faithful practice clears the way. The mantra itself is like an ice-breaker opening the way into deeper and more subtle levels of perception.

As it does this, the mantra is recited more gently and attentively, with the degree of subtlety appropriate to the level we have been led to. John Main described this work of the mantra to climbing up a mountain side. The more we climb the more the mantra sounds more faintly in the valley below us; but we continue to say or listen to it as soon as we fall into earlier levels of distraction or turbulence.

At times this may lead us into complete silence which means the letting-go of self-consciousness and the observing self. We are in a sense now beyond experience, because experience in the ordinary sense is always how we remember or describe something that is no longer fully present. Many people who remember a good experience long to recover it and endlessly regret its loss. Often what they remember and call the experience looks very different from what actually happened.

This is living in the past. But the essence of contemplative consciousness is absorbing and integrating the past, and then moving ever further into a deeper entry of the present moment. Real cleansing of our progressive levels of consciousness, which is what growth means, brings about progress by touching and throwing open the deep core of our being, in the cave, the abyss, of our heart.

All that is good about our humanity is there awaiting liberation and fulfillment. At this level of being we undergo a transformation that cannot be observed because it is simultaneously within and outside us. Often we become aware of the inner change by perceiving the new power of forgiveness, truthfulness and compassion in our daily life. These fruits of the spirit point to an interior change that we cannot watch happen. Without trying, though, we become aware of it in the silence of a pure heart (without effort or control on our part).

 

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.