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Quinto Domingo da Quaresma

D. Laurence Freeman

Jr 31, 31-34; Hb 5, 7-9; Jo 12, 20-33

Quinto Domingo da Quaresma

A vida é uma desgraça após a outra. As pessoas religiosas muitas vezes lidam com isso construindo muros e muralhas contra a mudança e, assim, produzem uma religião cheia de danação e condenação. Mas o significado essencial da religião é ser um modo iluminado e destemido de gerenciar a mudança na inexorável jornada da vida em direção a Deus.

As leituras de hoje começam na Era Axial, este período evolutivo da consciência humana que nos deu Buda, os Upanishades, Lao Tsé, Platão e os profetas hebreus. Foi um momento de mudanças profundas e irreversíveis no modo como nos percebemos. Jeremias viu que a compreensão que o povo tinha de Deus e de si próprio — a “aliança”, como eles a chamavam — tinha ultrapassado a ideia de uma divindade tribal com adoradores submissos que a ela atribuíam seu senso de identidade superior. Em vez disso, a “nova aliança” não consistiria em uma lei exterior, mas numa lei “escrita em seus corações”.

O resultado dessa mudança revolucionária na consciência religiosa foi uma nova percepção de igualdade que unia todas as pessoas. Aqueles que experimentam Deus dessa maneira sempre olharão de forma diferente uns para os outros. Ensinar alguma coisa sobre Deus deixa de ser uma ação que vem de cima para baixo. Agora, “todos me conhecerão, dos menores aos maiores”. Tal percepção de igualdade levou o papa Francisco a chamar o clericalismo de uma das três grandes tentações corrosivas da igreja. Também levou Mary McAleese a desafiá-lo de forma contundente, na semana passada, a colocar isso em prática numa instituição clerical incorrigivelmente patriarcal, e a respeitar a igualdade entre mulheres e homens em todos os níveis de sua vida.

Na segunda leitura, da Carta aos Hebreus, essa luz de mudança revolucionária na consciência passa através da lente que é Cristo. Ou, mais precisamente, passa pela humildade de Cristo, que aprendeu a obedecer através do sofrimento (e quem aprende de outra maneira?). Somente os líderes que não têm medo de mostrar suas feridas podem trazer redenção para aqueles que os seguem. Se Jeremias joga luz sobre a igualdade da nova aliança, a Carta aos Hebreus revela a fraternidade transformadora que Jesus abre para a humanidade através do seu modo de viver a jornada humana.

Na leitura seguinte, Jesus fala com aquele misterioso tom de voz que ouvimos no Evangelho de João. Encontramos a Palavra de Deus feito carne em lágrimas e medos humanos. A sucessão de uma desgraça após a outra o levou a um momento ápice, choroso e repleto de medo, no qual ele percebe a inevitável lógica daquilo que ensinava: tanto seus ensinamentos quanto ele mesmo serão rejeitados pelas estruturas de poder que denunciam. Ele vai fracassar, e a única coisa que podemos fazer é escolher entre segui-lo através desse buraco negro ou permanecer dentro de uma religião que se vendeu ao poder. Curiosa e perturbadoramente, assim é a verdadeira liberdade.

Igualdade profética, fraternidade mística e liberdade de espírito. Estes são os elementos da revolução em que todos nos encontramos atualmente, gostemos disso ou não. Uma revolução que, até o momento, mal começou.

 


 

Texto original em inglês

Fifth Sunday of Lent

Jer 31:31-34; Heb 5:7-9; Jn 12: 20-33

Life is one damn thing after another. Religious people often deal with that by building walls and ramparts against change and thereby produce a religion full of damnation and condemnation. Religion is meant to be an enlightened and fearless way of managing change on life’s inexorable journey to God.

Today’s readings begin in the Axial Age – that evolutionary period of human consciousness that threw up the Buddha, the Upanishads, Lao Tse, Plato – and the Hebrew prophets. It was a time of deep, irreversible change in how we perceive ourselves. Jeremiah saw that his people’s understanding of God and themselves – the ‘covenant’ as they called it – had moved from a tribal deity with submissive worshippers who derived their superior sense of identity from it. Instead the ‘new covenant’ would consist not of an external Law but of one ‘written in their hearts’.

The upshot of this revolutionary change in religious consciousness was a new perception of equality uniting the whole people. Those who experienced God in this way forever look differently at each other. Teaching about God ceases to be from the top down. Now, ‘they will all know me, the least no less than the greatest.’ Such a perception of equality drove Pope Francis to call clericalism one of the three great corrosive temptations of the church. It also drove Mary McAleese last week to challenge him sharply to put this into practice in an incorrigibly patriarchal church institution and to respect the equality of women and men at all levels of its life.

In the second reading, from the Letter to the Hebrews, the beam of this revolutionary shift in consciousness is passed through the lens that is Christ. Or, more accurately, passed through the humility of Christ who learned (and who doesn’t?) to obey through suffering. Only leaders who are not afraid to show their wounds can bring redemption to those who follow them. If Jeremiah illuminates the equality of the new covenant, Hebrews reveals the transformative fraternity that Jesus opens for humanity through his way of living the human journey.

In the next reading Jesus speaks in that mysterious tone of voice we hear in John’s gospel. We meet the Word of God made flesh in his human tears and fears. The one damn thing after another has brought him to an ultimate, tearful and fear-filled moment in which he perceives the inevitable logic of his teaching:  it, and he, will be rejected by the power structures it exposes. He will fail; and we can only choose to follow him through that black hole or remain in a religion that has sold out to power. Oddly and disturbingly, this is what liberty really looks like.

Prophetic equality, mystical fraternity and liberty of spirit. These are the elements of the revolution we are all caught up in now, like it or not. A revolution that has, so far, still hardly begun.

 

 

 
O primeiro tipo de silêncio é o da língua. São Tiago aborda esse assunto quando ele exorta seus primeiros companheiros-cristãos a vigiar seus discursos. A língua é como um leme, diz ele, muito pequeno, mas com uma grande influência sobre o rumo que estamos tomando. É mais do que óbvio que nós devemos controlar nossa fala quando dizemos alguma coisa com veemência, meramente ofensiva ou maliciosa seja direta ou escondida no humor. É bem difícil, porque gostaríamos de arrancar nossos sentimentos de raiva de nosso peito. Mas as palavras ditas com raiva e com a intenção de machucar (pois a outra pessoa as merece) caem na mesma armadilha de qualquer violência. Nunca alcança o que promete e sempre piora a coisa.
 
Há, no entanto outro tipo de restrição da fala. A maioria dos nossos enunciados é irracional, não significam o que dizem; muitas vezes seu significado principal é para preencher o constrangimento do silêncio e é geralmente bastante trivial. Não quero dizer que devemos sempre falar sobre realidades sublimes; mas nós sempre devemos comunicar algo útil, significativo ou efetivo. Tagarelice é o equivalente verbal de promiscuidade. Controlar a língua, saber quando começar a falar e quando parar é como ser casto.
 
Quando sentamos para meditar a etapa primeira e óbvia é parar de falar, sem mover nossos lábios ou língua enquanto dizemos o mantra. Com as crianças às vezes dizemos o mantra em voz alta algumas vezes com a diminuição de volume e eles logo descobrem que podem recitá-la interiormente e silenciosamente. Isso é um grande alívio, porque muitas vezes não percebemos como nossa maneira de falar pode ser indisciplinada e superficial ou quantas vezes nós resvalamos para a fofoca. Descansar a língua liberta a mente para que ela se mova em direção ao coração.
 
Mas primeiro temos que lidar com o que está perturbando o outro nível, onde o silêncio tem algo mais a nos ensinar.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.