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Terça-feira da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

O paradoxo é o portal da verdade.

Dito assim, pode parecer simplesmente superficial. O paradoxo pode ser visto como alguma coisa meramente confusa, onde não sofremos - realmente – ao encontrar as incômodas contradições da vida, as amargas decepções, esperanças traídas, furacões de egoísmo, selvas de ilusão e pântanos de mal-entendidos que nos separam dos outros por décadas. Damos a volta neles, em vez de suportar sua paixão. Paixão é vivenciar.

Como o Tao e o Evangelho, assim como todos os textos sagrados originados no espírito humano testemunham, o paradoxo é mais do que simplesmente não conseguir o que queremos ou sofrer uma derrota. Em última instância, não é menos do que tudo, não é nada menos do que a Cruz.

Dentro de alguns dias, a purificação da mente e do coração que a Quaresma trabalhou em nós – qualquer que seja o grau - será testada na forma como recontamos a história dos últimos dias e horas da vida de Jesus. Estes ocupam uma quantidade desproporcional de espaço em sua biografia porque espremem e destilam, das pedras mais secas, o significado de suas palavras e de sua própria natureza. Sua história é quem ele é: a porta estreita.

No Netflix – que para muitos assumiu o lugar dos romances - há no menu uma opção para filmes ou séries que você já viu antes e que gostaria de “assistir de novo”. Em um mundo de novidade implacável, é reconfortante que as maiores mentes de marketing do mundo reconheçam a profunda necessidade humana de familiaridade e repetição.

Como disse o sagaz Oscar Wilde: “Se não pudermos gostar de ler um livro vezes sem conta, qual a utilidade de lê-lo.” O portal do paradoxo raramente é reconhecido no primeiro encontro e, se for, geralmente é rapidamente negado. São necessárias muitas visitas até que a exigência total da realidade possa ser enfrentada.

A repetição queima as impurezas da distração. Na meditação, como em qualquer outra forma de amor fiel, aprendemos a colocar todo o nosso ser. E então, temos que tirar dela todo o nosso ser. Mesmo a idéia de que é “meu trabalho” ou de que me trará benefícios deve ser abandonada. Tendo investido tudo e depois renunciado a tudo, o que resta é o nosso verdadeiro eu, uma obra autêntica, uma nova criação.

Isto é o que faz uma boa história, uma história que nunca podemos esquecer, porque chegamos por fim a amá-la como uma criança ama.

 


 

 

Texto original em inglês

Tuesday Lent Week Five

Paradox is the portal to truth.

This may easily sound glib. Paradox can be fudged into something merely confusing where we don’t really suffer through the awkward contradictions of life, the bitter disappointments, betrayals of hopes, hurricanes of egoism, jungles of illusion and those swamps of misunderstandings that separate us from others for decades. We skirt around them rather than enduring the passion of them. Passion is undergoing.

Paradox - as the Tao and the Gospel testify, together with every sacred text that the human spirit has given birth to – is more than just not getting what we want or having a setback. It is ultimately not less than everything, not less than the Cross.

In a few days’ time, the purification of mind and heart that Lent has worked in us – to whatever degree – will be tested in the way we re-tell the story of the last days and hours of the life of Jesus. These occupy a disproportionate amount of space in his biography because they squeeze and distil, from the driest of stones, the meaning of his words and of his very nature. His story is who he is : the eye of the needle.

On Netflix – which is taking the place of novels in many people’s world – there is a menu selection of films or series that you have watched before and that you might like to ‘watch again’. In a world of relentless novelty, it is rather comforting that the world’s greatest marketing minds recognize the deep human need for familiarity and repetition.

As the perceptive Oscar said “If one cannot enjoy reading a book over and over again, there is no use in reading it at all.” The portal of paradox is rarely recognised at the first encounter and, if it is, it is often quickly denied. It requires many second visits before the full demand of reality can be faced.

Repetition burns away the dross of distraction. In meditation, as in any other form of faithful love, we learn to put our whole self into it. Then we have to take our whole self out of it. Even the idea that it is ‘my work’ or that it will bring me benefits must be given up. Having invested everything and then renounced everything, what is left is our true self, an authentic work, a new creation.
This is what makes for a good story and one we can never forget because we come to love it as a child loves.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.