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Quarta-feira da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

O vazio, assim como a pobreza, tem muitas conotações negativas. No espírito do parodoxo, porém, estes dois termos são usados por muitas tradições de sabedoria para denotar o caminho da plenitude e da riqueza transcendente.

Uma palavra chave relacionada ao mistério de Cristo é kenosis ou "esvaziamento". Nos foi dito que Jesus "esvaziou-se" ou "tornou-se como o nada". Isso se aplica especialmente à agonia dos seus últimos dias de vida que são descritos como o máximo ato de serviço -- usando a metáfora de um escravo ou servo que não tem uma identidade própria mas tornou-se totalmente centrado no outro. Também ilumina alguém cuidando de outra pessoa que escolhe, por amor, colocar o outro em primeiro lugar. Psicologicamente isso às vezes serve de alerta para as pessoas modernas, mas teologicamente abre a janela para o mistério mais profundo.

Esvaziamento - sunyata no pensamento Budista - refere-se menos à forma como nos relacionamos com os outros mas ainda é um elemento indispensável na compaixão. "Nenhum self" refere-se, no entanto, à natureza essencial de todas as coisas. Nada tem existência permanente ou independente. Isso está refletido na Bem-Aventurança de Jesus que ele chama de pobreza ou pobreza de espírito. Parece uma deprivação ou um estado de opressão. Mas, se como ele diz, é o caminho direto para o reino, então é melhor entendido como significando desapego, renúncia ou deixar para trás.

Estas ideias podem parecer abstratas para o não-meditante ou qualquer pessoa que não tenha refletido sobre o significado da sua experiência de vida. O significado surge através da conexão. Meditação é um caminho universal para o significado porque -- e aqui vai mais um paradoxo para a lista -- a solidão na qual entramos quando meditamos, abre a realidade da nossa fundamental conexão. Isso começa com sentir-se conectado com nós mesmos enquanto vencemos a ilusão de estarmos separados e o sofrimento que esta ilusão carrega. Mas isso é apenas o começo.

Exatamente como estas verdades gerais funcionam na história de nossas vidas -- assim como funcionaram na vida de Jesus -- formam o aspecto único da nossa existência. Essa singularidade da existência humana é também a base de amor e justiça. Nós amamos um ao outro porque somos únicos e a singularidade dos outros de alguma forma ressoa com a nossa. A justiça trata cada caso, cada pessoa, nos seus méritos únicos. Todo o amor é solidão transformada em comunhão.

No caso da história de Jesus isso toca não apenas os indivíduos que ele amou, sua família e amigos, mas a nós também -- "nós" se refere a todos que já viveram ou que viverão.

Mesmo que nós nos esforcemos para adiar pensar no assunto, a morte também é um elemento indispensável do significado da vida. Ela nos faz ver que toda história de vida, mesmo que pareça insignificante em termos dos sistemas de poder e riqueza do mundo, é um drama universal. Se apropriadamente reverenciado, cada ser humano e sua história única, então revela o mistério cósmico.

 


 

 

Texto original em inglês

Wednesday Lent Week Five

Emptiness, like poverty, has negative connotations. In the spirit of paradox, however, these two terms are used by many wisdom traditions to denote the way to fullness and transcendent richness.

A key word in relating to the mystery of Christ is kenosis or ‘emptying’, We are told that Jesus ‘emptied’ himself or ‘became as nothing’. This applies especially to the ordeals of his last days of life which are described as the ultimate act of service – using the metaphor of a slave or servant who has no identity of their own but has become wholly other-centred. It also illuminates someone caring for another who chooses, in love, to put the other first. Psychologically this sometimes raises alarm signals for modern people but theologically it opens the window into the deepest mystery.

Emptiness - sunnyata in Buddhist thought – refers less to the way we relate to others but it is still an indispensable element in compassion. ‘No self’ refers rather to the essential nature of everything. Nothing has independent or permanent existence. This is reflected in the Beatitude of Jesus that he calls poverty or poverty of spirit. It sounds like a deprivation or afflicted state. But, if as he says, it is the direct way into the kingdom, then it is more truly understood to mean detachment, renunciation or letting go.

These ideas might sound abstract to the non-meditator or anyone who has not reflected on the meaning of their life-experience. Meaning arises through connection. Meditation is a universal way to meaning because – another paradox to add to the list – the solitude we enter when we meditate opens up the reality of our fundamental connectedness. This begins with feeling connected with our selves as we overcome the illusion of separateness and the suffering it brings. But this is only the beginning.

Exactly how these general truths work out in the story of our lives – as it did in the life of Jesus – make for the uniqueness of our existence. This singularity of human existence is also the basis of love and justice. We love another because they are unique and their singularity somehow resonates with our own. Justice treats each case, each person, on their unique merits. All love is solitude transformed in communion.

In the case of the story of Jesus this touches not only the individuals he loved, his family and friends, but us as well – ‘us’ meaning all those who have ever lived or ever will.

However much we like to postpone thinking about it, death is also an indispensable element in the meaning of life. It makes us see that every life-story, however insignificant it may be in terms of the power-and-wealth systems of the world, is a universal drama. Properly reverenced, each human being and his or her unique story, thus reveals the cosmic mystery.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.