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Sexta-feira da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Quando nos dramatizamos, perdemos o verdadeiro drama, o significado real da experiência. A postura autossuficiente fica no caminho da presença real e distorce nossa visão das coisas. Por trás dessa tendência universal - a reação de Marta ao estresse é um bom exemplo - é o sentimento de separação de nós mesmos.

Fazer alarde das coisas: isso pode significar falar demais, fofocar com falsa sinceridade, analisar e psicanalisar os erros dos outros, atribuir culpas, interpretar a vítima ou a pessoa indignada que foi desrespeitada. Não é um jeito bom de lidar com casos reais de injustiça.

Temos reações ambivalentes aos grandes santos, como Francisco de Assis, que se deleitavam com as oportunidades que a rejeição ou a humilhação lhes oferecia para transcender seus egos. A princípio, sua humildade pode conquistar nossa admiração. Mas então, podemos suspeitar que eles fossem masoquistas, que gostavam de sua humilhação.

Como sempre, o teste está no quanto estamos ancorados no silêncio profundo. É fácil ficar superficialmente em silêncio quando nos sentimos calmos e tudo está em paz ao nosso redor. Mas, quando somos dominados por eventos, feridos ou confusos, o silêncio é perdido e substituído pelo ruído da nossa queixa auto dramática. Então perdemos a oportunidade escondida na dura lição que estamos sendo ensinados.

O silêncio profundo não apenas nos mantém firmes durante a tempestade. Também contém secretamente a presença e o significado, que querem se revelar para nós. E que resgatam os erros e transfiguram as tragédias da vida.

Este silêncio profundo é perceptível em muitas das cenas do drama da Paixão, que na próxima semana estaremos ouvindo novamente. É mais forte que o barulho das multidões.

No início de cada sessão de meditação, nos deparamos com o tráfego intenso dos dramas superficiais das nossas vidas. Mesmo sabendo que essas questões terão mudado amanhã ou no próximo mês ou no próximo ano, agora elas nos absorvem - nos distraem - como se tivessem um significado absoluto. Mas, se fizermos o trabalho do silêncio - pura atenção à ascese do mantra -, escaparemos do tráfego. Encontraremos o silêncio profundo que, na quietude atemporal, espera pacientemente e gentilmente a nossa chegada.

Livres do barulho de nossa própria dramatização nos movemos para o verdadeiro drama da existência que não é o drama do desejo, medo, raiva ou orgulho, mas o drama do amor.

 


 

 

Texto original em inglês

Friday Lent week Five

When we dramatise ourselves we miss the real drama, the real meaning, of experience. Self-posturing gets in the way of real presence and distorts our vision of things. Behind this universal tendency – Martha’s reaction to stress is a good example – is the sense of separation from ourselves.

Making a fuss about things: this may mean talking too much, gossiping with false sincerity, analyzing and psychologising others’ faults, attributing blame, playing the victim or the outraged person who has been dis-respected. It is not a good way of dealing with real instances of injustice.

We have ambivalent reactions to the great saints, like Francis of Assisi, who delighted in the opportunities that rejection or humiliation offered them to transcend their egos. At first their humility may win our admiration. But then, we may suspect they were masochists who enjoyed their humiliation.

As always, the test is in how grounded we are in deep silence. It is easy to be superficially silent when we feel calm and all is at peace around us. But, when we are upended by events, hurt or confused, silence is lost and replaced by the noise of our self-dramatising complaint. Then we lose the opportunity hidden in the hard lesson we are being taught.

Deep silence not only holds us steady through the storm. It also secretly contains the presence and the meaning, which want to reveal themselves to us. And which redeem the mistakes and transfigure the tragedies of life.

This deep silence is perceptible in many of the scenes of the Passion drama, which next week we will be listening to again. It is stronger than the noise of the crowds.

At the start of every meditation session we run into the busy traffic of the shallow dramas of our lives. Even though we know that these issues will have changed by tomorrow or next month or next year, now they absorb us – distracting us – as if they were of absolute significance. But, if we do the work of silence – pure attention to the ascesis of the mantra – we escape the traffic. We find the deep silence which in timeless stillness patiently, kindly awaits our arrival.

Free from the noise of our self-dramatising we move into the real drama of existence which is not the drama of desire, fear, anger or pride, but the drama of love.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.