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Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
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Sábado da Quinta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Antônio do Deserto, o monge arquetípico do século IV, certa vez convocou todos os irmãos. Quando se reuniram em torno dele, falou poucas palavras: “Sempre respirar Cristo”. Relembrados de seu objetivo de oração contínua, voltaram a aplicar o ensinamento de Antônio em cada momento de sua vida.

Em nossa estressante época, esquecemos o que Antônio quis dizer, e nos falta a autoridade experiencial de seu ensinamento. Mas, quando a ansiedade da solidão e o medo do vazio ameaçam nosso bem-estar e sanidade, estamos prontos para redescobrir a simples instantaneidade do que a sabedoria do deserto nos ensina.

Antes de o mantra se tornar enraizado no coração, a respiração consciente, prestando atenção ao ritmo, para dentro e para fora, é a maneira mais simples e rápida de recuperar-se de uma mente agitada e, como Jesus diz, “colocar vossos corações perturbados em repouso e banir vossos medos”. Não podemos lidar com a ansiedade apenas pensando sobre o que está nos deixando ansiosos. O corpo é o lugar natural para começar.

John Main enfatiza a simplicidade. Nosso corpo, embora seja tão complexo quanto o cosmos, é radicalmente simples. No coração, o centro espiritual e espaço interior de oração, corpo e mente se unem. Frei John adverte sobre os perigos de complicar a simples disciplina da meditação, ao transformá-la em técnica.

Como todos os mestres da oração, ele entendeu o papel da respiração em acalmar simultaneamente corpo e mente, e nos preparar para um aprofundamento suave e progressivo da consciência, que chamamos de jornada interior. A respiração conecta corpo e mente.

Ele não defendia apenas um único modo de sincronizar o mantra com a respiração; estava ciente de que algumas pessoas alinham-no com outro ritmo, como o do coração. Mas provavelmente a maioria das pessoas diz o mantra com a respiração, tanto inspirando com o mantra e expirando em silêncio ou (se você está dizendo maranatha, como ele sugeriu) dizendo as duas primeiras sílabas na inspiração e as outras duas na expiração.

Se você conscientemente divide sua atenção entre a respiração e o mantra, sua meditação se torna mais como uma técnica. O objetivo da disciplina é unificar a atenção e tornar-se um propósito único. De início, você poderia descansar o mantra suavemente na roda da respiração, dando atenção total ao mantra. Eventualmente, o mantra encontra seu próprio ritmo no campo sutil do espírito. Então começamos a soá-lo mais suavemente e a escutá-lo mais integralmente.

No tempo espiritual, o mantra nos leva a um profundo silêncio, onde nos movemos além da minha oração, minha meditação, minha experiência. Quando nossa oração se torna a oração do espírito, nós verdadeiramente “respiramos Cristo”.

A Semana Santa começa amanhã centrando-se no corpo mortal de Jesus; mas também em como este corpo torna-se nós, como Cristo é formado em nós, e tornamo-nos seu corpo.

 


 

 

Texto original em inglês

Saturday Lent Week Five

Anthony of the Desert, the archetypal monk of the fourth century, once summoned all the brothers. When they gathered around him his words were few: ‘Always breathe Christ’. Reminded of their goal of continuous prayer, they returned to apply his teaching in each moment of their life.

In our stressful times we have forgotten Anthony’s meaning and miss the experiential authority of his teaching. But, when anxious loneliness and the fear of the void threaten our well-being and sanity, we are ready to re-discover the simple immediacy of what the desert wisdom teaches us.

Before the mantra becomes rooted in the heart, conscious breathing, paying attention to the in and out rhythm, is the simplest and quickest way to recover from an agitated mind and, as Jesus says, to ‘set your troubled hearts at rest and banish your fears’. We can’t deal with anxiety just by thinking about what is making us anxious. The body is the natural place to start.

John Main emphasises simplicity. Our body, although it is as complex as the cosmos, is radically simple. In the heart, the spiritual centre and inner room of prayer, body and mind unite. Fr John warns of the dangers of complicating the simple discipline of meditation by turning it into technique.

Like all masters of prayer, he understood the role of the breath in simultaneously calming mind and body and preparing us for a gentle, steady deepening of consciousness that we call the inner journey. Breath links mind and body.

He did not advocate only one way of synchronising the mantra with the breath; he was aware that some align it with another rhythm such as the heart. But probably most people say the mantra with the breath, either breathing it all in and breathing out in silence or (if you are saying maranatha as he suggested), saying the first two syllables on the in-breath and the second two on the out-breath.

If you self-consciously divide your attention between the breath and the mantra your meditation becomes more of a technique. The purpose of the discipline is to unify attention and become single minded. So at first you could rest the mantra lightly on the wheel of the breath, giving undivided attention to the mantra. Eventually the mantra finds its own rhythm in the subtle field of the spirit. Then we start sounding it more gently and listening to it more wholly.

In spiritual time the mantra leads us into deep silence where we move beyond my prayer, my meditation, my experience. When our prayer becomes the prayer of the spirit we truly ‘breathe Christ’.

Holy Week begins tomorrow by focusing on the mortal body of Jesus; but also on how this body becomes us, as Christ is formed in us, and we become his body.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.