Leituras

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2020 >
Quaresma 2019 >
Quaresma 2018 >
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Quarta-Feira da Primeira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Lc 11,29-32

Esta geração é uma geração perversa. Ela busca um sinal.

Desejar sinais é como pedir que uma única resposta seja a resolução de todos os aspectos de uma questão. Nos trava na dimensão mais superficial da realidade. Nós deixamos passar o significado mais profundo e gratificante da vida e a verdade tangível da experiência plena. Superem isso, Jesus diz aos supersticiosos e seus aliados próximos, os fundamentalistas.

Através da experiência direta, a meditação nos ensina o que pensar e falar não conseguem nos ensinar. Comunicação sem esta dimensão de silêncio torna-se um falatório e leva ao conflito que surge da confusão. “Vamos sentar juntos e esclarecer as coisas”, nós dizemos em situações pessoais difíceis. É exatamente isso o que fazemos na meditação. Não se parece com isso, porém, até que você tenha tentado e testado.

Por que ir ao deserto (eremos) nos ajuda a viver melhor na cidade? O deserto é mais real do que imaginamos. A cidade é mais ilusória do que queremos admitir. No deserto não existe nada real a ser contemplado com exceção da natureza em sua forma mais simples e crua. Como sabemos – qual é o sinal – de que o que estamos fazendo é real? Talvez seja a experiência da beleza, significado da penetração instantânea do nosso ser pelo pleno misteriosamente presente em uma parte que nos toca e nos transforma. Nós não pensamos em beleza ou decidimos sentir que algo é bonito. Nós não podemos negar a beleza ou explica-la. Nós nos rendemos a ela. A beleza de imitação nos seduz mas sua falsidade é rapidamente exposta. A coisa verdadeira, como a beleza encontrada no deserto, expõe o glamor do shopping center. Uma vez que o falso foi visto, nós precisamos abandoná-lo rapidamente, caso contrário, a ilusão ganha força e o vício seguirá.

É por isso que precisamos de eremos, sentar e ser. As crianças, para surpresa dos professores e pais, conseguem amar o deserto interior. Para nós isso requer um reaprendizado. A não ser que você se torne como uma criança pequena... O aprendizado começa com a postura física. O corpo é o maior de todos os sinais, o sacramento primário, a beleza que é verdade (mesmo depois de começar a declinar do seu ápice físico). Um corpo frágil, cansado é não menos sagrado ou essencialmente bonito do que o corpo firme e em forma porque o corpo nunca mente. Ainda mais do que ser um sinal, o corpo é nosso símbolo primordial. Um sinal apenas aponta. Um sinal incorpora. Não a imagem do corpo. Mas o corpo que incorpora você.

A forma como você se senta durante a meditação expressa a sua atitude mental com relação à sessão que você está começando. Ela francamente revela a verdade em sua mente e as expectativas. Se você está sentado de forma preguiçosa e desleixada é assim que a sua mente está e isso tornará a postura ereta interior da meditação mais difícil. Então sente-se de forma ereta. Isso também ajudará você a respirar melhor o que ajudará você a ficar mais calmo e mais desperto. Se você está em uma cadeira, você pode se inclinar um pouco para frente, para a beira da cadeira para manter as costas retas. Talvez colocar uma pequena almofada atrás de você. Se você é alto, sente-se em uma almofada. Se você é baixo, coloque algum apoio sob os seus pés para manter um ângulo de 90 graus com os seus joelhos. Se preferir sentar-se no chão, você provavelmente precisará de uma almofada para que a sua coluna fique ereta e os seus joelhos possam encostar no piso. Se você se ajoelha com um banco de oração, mantenha as costas eretas, mãos nas pernas ou joelhos. Ombros relaxados, maxilares soltos, respiração normal, queixo levemente curvado para manter a cervical alinhada.

O que poderia ser mais bonito? Que sinal para você e para os outros ao redor de você de que quando nós nos sentamos e somos quem somos não precisamos procurar sinais.

 


 

Texto original em inglês

Wednesday Lent Week One: Luke 11:29-32

This is a wicked generation; it is asking for a sign.
Craving for signs is like demanding that one answer will resolve all the aspects of a question. It locks us into the most superficial dimension of reality. We miss out on the deeper and more satisfying significance of life and the tangible truth of full experience. Get over it, Jesus says to the superstitious and their near allies the fundamentalists.

Through direct experience meditation teaches us what thinking and talking cannot. Communication without this dimension of silence becomes babble and leads to the conflict that arises from confusion. ‘Let’s sit down together and get things cleared up’, we say in difficult personal situations. That is precisely what we do in meditation. It doesn’t look like this, however, until you have tried and tested it.

Why does going into the desert (eremos) help us live better in the world of the city? The desert is more real than we imagine. The city is more illusory than we like to admit. In the desert there is nothing real to contemplate except nature itself in its simplest, barest forms. How do we know - what is the sign – that what we are doing is real? Perhaps it is the experience of beauty, meaning the instantaneous penetration of our being by the whole mysteriously present in a part which touches and changes us. We don’t think beauty or decide to feel that something is beautiful. We cannot deny beauty or explain it. We surrender to it. Imitation beauty seduces us but its fakeness is soon exposed. The real thing , like the beauty met in the desert, exposes the glamour of the mall. Once the false has been seen we need to drop it quickly. If not, illusion gets a grip and addiction will ensue.

This is why we need eremos, to sit and be. Children, to the amazement of their teachers and parents, can and love the interior desert. For us it involves a re-learning. Unless you become like little children. . . The learning begins with physical posture. The body is the greatest of all signs, the primary sacrament, the beauty (even after it has started to decline from its physical peak) that is truth. An emaciated, wasted body is no less sacred or essentially beautiful than the fit and firm because the body never lies. Even more than being a sign, the body is our primordial symbol. A sign merely points. A symbol embodies. Not body image. But the body that embodies you.

The way you sit in meditation expresses your mental attitude to the session you are beginning. It frankly reveals to you the truth of your mind and expectations. If you are slouching or slumping that’s where your mind is and it will make the interior uprightness of meditation more difficult. So sit upright. This will also help you to breathe better which helps you to be calmer and more awake. If you are on a chair you might shift forward, towards the edge of the chair to keep the back straight. Maybe put a small cushion behind you. If you are tall sit on a cushion. If you are short put something under your feet letting your feet form a 90 degree angle with your knees. Sitting on the floor, you probably need a cushion so that your back is straight and your knees touch the ground. If you kneel with a prayer bench, keep the back straight, hands on lap or knees. Shoulders relaxed, jaw loose, breathing normal, chin slightly bent to straighten the back of the neck.

What could be more beautiful? What a sign to you and others around you that when we sit and are who we are we don’t need to look for signs.