Leituras

Acesse mais leituras e mensagens de D. John Main e D. Laurence Freeman:

Reflexões da Quaresma

Durante toda a Quaresma, Dom Laurence envia suas reflexões diárias para a Comunidade.
Quaresma 2020 >
Quaresma 2019 >
Quaresma 2018 >
Quaresma 2017 >
Quaresma 2016 >
Quaresma 2015 >
Quaresma 2014 >
Quaresma 2013 >

Encontre um Grupo de Meditacao Crista

Sábado da Quarta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

João 7, 40-52

Então as pessoas não puderam concordar sobre ele

Em Bonnevaux existem três nascentes. Em cada uma delas, um fluxo contínuo de água pura sobe do mundo invisível abaixo, de lençóis freáticos ou córregos subterrâneos. Quando estou ao lado delas, e noto o borbulhar gentil quebrando a superfície da fonte oculta, antevejo uma longa história.

As nascentes sempre atraíram os seres humanos não apenas como uma fonte de água da qual a vida depende, mas como lugares sagrados, símbolos que melhoram a vida do significado, a conexão da vida. "Acredite em milagres, curas e poços que curam", Seamus Heaney escreveu em seu poema "Cura em Troy" e repetiu em um discurso para o Royal College of Physicians (Faculdade Real de Médicos) da Irlanda.

As mitologias mundiais contêm muitas histórias da busca pela "fonte da vida". Nos sonhos, diz-se que a água simboliza a própria consciência. Jesus queria que descobríssemos a corrente de água viva que flui de nosso coração. O coração de cada pessoa é uma fonte através da qual a vida da consciência flui de uma fonte comum do ser. Ele entra nessa dimensão tangível da realidade onde neste momento escrevo e você lê. Corações, no entanto, se fecham quando os estados mentais negativos com os quais todos nós lidamos, até o fim dos tempos, nos distraem e nos dominam. Pode levar alguns anos para você perceber que seu coração está se fechando. Mas quando você percebe isso explica muito do que deu errado. Ele expõe os hábitos de caráter e padrões de comportamento que gradualmente nos aprisionaram e com os quais falsamente nos identificamos.

Quando o coração se fecha, nos separamos da nossa fonte e da natureza fluente da realidade. Nós tomamos posições rígidas e inflexíveis. A oposição se segue e em pouco tempo, o conflito e as variadas formas de violência. Fechados e separados no orgulho de estar certo e condenando aqueles que discordam como errados, nunca podemos concordar. Então, perdemos contato com os misteriosos caminhos entre as dimensões da realidade. Essas conexões não são tangíveis ou conceituais da maneira como estamos acostumados e, portanto, são facilmente descartadas como imaginárias. O preço que pagamos é ficarmos estagnados, inflexíveis. Sem a fonte de uma nova vida, nossas ideias se tornam obsoletas e nossos argumentos são monótonos. Nós falhamos em concordar sobre qualquer coisa ou com qualquer um, exceto conosco mesmo. Finalmente, não podemos nem concordar conosco mesmo.

 


 

Texto original em inglês

Saturday Lent Week Four: John 7:40-52

So the people could not agree about him

At Bonnevaux there are three springs. In each, one a continuous flow of pure water bubbles up from the invisible world below, of water tables or underground streams. When I stand beside them, seeing the gentle disturbance breaking the surface from the hidden source, I sense a long history. Springs have always attracted human beings not only as a source of the water on which life depends but as sacred places, life-enhancing symbols of the meaning, the connectedness, of life. ‘Believe in miracles, cures and healing wells’, Seamus Heaney wrote in his poem ‘Cure at Troy” and repeated in an address to the Royal College of Physicians of Ireland.

World mythologies contain many stories of the quest for the ‘fountain of life’. In dreams, water is said to symbolise consciousness itself. Jesus wanted us to discover the stream of living water that flows from our heart. Every person’s heart is a spring through which the life of consciousness flows from a common source of being. It enters this tangible dimension of reality where at this moment I write and you read. Hearts, however, close when the negative states of mind with which we all contend, until the end of time, distract and overwhelm us. It may take some years to notice that your heart has been closing. But when you do see it, it explains a lot of what has gone wrong. It exposes the habits of character and patterns of behaviour that have gradually entrapped us and with which we falsely identify ourselves.

When the heart closes, we separate from our source and from the flowing nature of reality. We take rigid, fixed positions. Opposition follows and before long, conflict and varied forms of violence. Closed and separated in the pride of being right and condemning those who disagree as wrong, we can never agree. We then lose touch with the mysterious pathways between the dimensions of reality. These connections are not tangible or conceptual in the way we are used to, and so are easily dismissed as imaginary. The price we pay is to become stranded, inflexible,. Without the spring of new life our ideas become stale and our arguments monotonous. We fail to agree about anything or with anyone except ourselves. Finally, we cannot even agree with ourselves.