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Sexta-feira da Quarta Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

O vírus global está ensinando muitas coisas a todos nós. Cada pessoa recebe esse ensinamento individualmente através do contexto de sua própria história e personalidade. E é claro, estamos aprendendo lições difíceis e necessárias coletivamente; como o impacto financeiro da crise causa preocupações profundas nós somos forçados a fazer perguntas indesejáveis sobre valores fundamentais - continuaremos acreditando insanamente que o PIB precisa aumentar continuamente? Vamos aprender a viver dentro de nossos limites? Podemos descobrir o que significa ‘suficiente’? Ensinaremos a próxima geração que estar contente com o suficiente é a condição para ‘felicidade’ que temos tanto procurado nos lugares errados e da pior maneira possível?

Mas, primeiramente, o vírus está nos ensinando realismo. Nós não podemos controlar a propagação do vírus indo nos dias quentes para praias ou parques lotados. O que estamos vendo nas telas é real em nossas vidas pessoais. Com uma forte dose de realismo, nós nos preparamos para aprender a ter paciência.

Paciência é uma virtude preciosa porque é um elemento básico para aprender qualquer coisa. Talvez depois da crise quando escolas e faculdades abrirem novamente, lembremos o que a paciência significa. Nós não vamos abordar a educação como algo a ser aquecido rapidamente no micro-ondas e enviado como qualificação. Acharemos repulsivo que a educação, mesmo no nível elementar para criancinhas produz estresse, ansiedade e doença mental devido á sua competitividade e obsessão pela avaliação quantificada. Nós nos lembraremos que criar os filhos requer tempo gasto com eles porque eles precisam ser absorvidos na atenção pessoal, não colocados na frente de babás digitais. Talvez aprendamos que leva tempo para aprendermos alguma coisa: que nossa impaciência milenar em se tornar especialista em alguma coisa por uma via rápida de aprendizagem paga, não leva ao bom trabalho.

Talvez nos lembremos de que a meditação não foi inventada e embalada para nos ajudar a lidar com o estresse; ou para resolver problemas meramente para continuar com estilos de vida que causam aqueles problemas. Nós meditamos, como dizia John Main, porque fomos feitos para meditar. Meditação é sobre abrir nossos olhos para a realidade nas suas mais diversas cores e maravilhosa simplicidade. A meditação nos ensina paciência e precisamos paciência para desfrutar.

Também precisamos disso para saber como sofrer. Aqueles que se tornaram pacientes em casa ou no hospital, tendo pegado o vírus, aprendem como a paciência ensina, como mostra a raiz da própria palavra, que paciência é a qualidade do sofrimento. Pensar que paciência é somente sobre esperar algo vir ou ir, somente nos faz bater nossos dedos impacientemente. A paciência nos ensina como aceitar e crescer através do sofrimento. Como suportar, ser resiliente, ser calmo, se preocupando com os outros mesmo em nossas próprias angústias.

Em um mundo hedonista, buscando a felicidade nos lugares errados, nós criamos sofrimentos sem aprender como sofrer. O segredo inevitável da vida é saber como sofrer. Então, lembremos que esta é a segunda metade da Quaresma. Estamos nos preparando para contemplar a Paixão de Cristo. Paixão, nesse sentido, é a paciência mais profunda, a ponte entre sofrimento e alegria.

 


 

Texto original em inglês

Friday Lent Week Four

The global virus is teaching us all many things. Each person is receiving this teaching individually through the context of their own history and personality. And of course, we are learning hard and necessary lessons collectively. As the financial impact of the crisis causes deep concern, we are forced to ask unwelcome questions about fundamental values – are we going to continue insanely believing that GDP has to increase continuously? Will we learn to live within our limits? Can we discover what ‘enough’ means? Will we teach the next generation that being content with enough is the condition of the ‘happiness’ that we have been seeking in the wrong places and in the worst of ways.

Firstly, though, the virus is teaching us realism. We cannot control the spread of the virus by going on warm days to crowded beaches or parks. What we are seeing on the screens is real in our personal lives. With a strong dose of realism, we become ready to learn patience.

Patience is a precious virtue because it is a basic element of learning anything at all. Maybe after the crisis when schools and colleges open again, we will remember what patience means. We will not approach education as something to be heated up quickly in a microwave and delivered as a qualification. We will find it repulsive that education, even at the elementary level for young children, produces stress, anxiety and mental illness because of its competitiveness and obsession with quantified evaluation. Will we remember that the raising of children requires time spent with them because they need to be soaked in personal attention not put in front of digital babysitters. Maybe we will learn that it takes time to learn anything: that our millennial impatience to become expert at something in an overpaid fast track does not lead to good work.

Maybe we will remember that meditation was not invented and packaged to help us cope with stress; or to solve problems merely so as to continue lifestyles that cause those problems. We meditate, as John Main said, because we are made to meditate. Meditation is about opening our eyes to reality in its colourful diversity and wondrous simplicity. Meditation teaches us patience and we need patience to enjoy.

We also need it to know how to suffer. Those who have become patients at home or in hospital, having caught the virus, learn how patience teaches, as the root of the word itself shows, that patience is the quality of suffering. Thinking that patience is just about waiting for something to come or go, only makes us finger-tappingly impatient. Patience teaches us how to accept and grow through suffering. How to endure, be resilient, be peaceful, caring for others even in our own distress.

In a hedonistic world, pursuing happiness in the wrong places, we create suffering without learning how to suffer. The inescapable secret of life is to know how to suffer. So, let’s remember this is the second half of Lent. We are preparing to contemplate the Passion of Christ. Passion, in this sense, is the deepest patience, the bridge between suffering and joy.